PMDB vai esperar até o último momento para indicar nomes para CPI da Petrobras

BRASÍLIA - O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), vai esperar até o último momento para anunciar os cinco nomes do partido que farão parte da CPI da Petrobras. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), garantiu na tarde desta terça-feira que, caso os líderes não oficializem os nomes até o final do dia, ele mesmo irá definir os membros do colegiado.

Carol Pires, repórter em Brasília |

De acordo com Renan Calheiros, está difícil escolher os senadores porque a bancada é muito grande ¿ são 20 senadores. O problema é convencer quem não vai ser indicado, explicou. Nos bastidores, os senadores Valdir Raupp (RO), Almeida Lima (SE), Leomar Quintanilha (TO) e Paulo Duque (RJ) estão sendo cotados como possíveis indicações do partido.

O líder do PT, Aloízio Mercadante (SP), só irá anunciar os nomes da base aliada do governo após se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente passou o dia na Bahia e tinha a previsão de chegar a Brasília por volta das 19h.

Protesto da oposição

Mais cedo, os governistas comunicaram à oposição nesta terça-feira que não haverá acordo acerca dos cargos de comando da CPI da Petrobras . Em contrapartida, DEM e PSDB ¿ donos das duas maiores bancadas no Senado ¿ irão obstruir a votação da Medida Provisória 452, que capitaliza o Fundo Soberano (FSB).

Se não for votada até o dia 1 de junho, a MP 452, que dá crédito de R4 14 bilhões ao Fundo Soberano, perderá a validade.  A estratégia da oposição é esvaziar as sessões e tentar impedir que o governo vote a matéria. Caso o presidente do Senado decida colocar o texto em votação mesmo assim, PSDB e DEM votarão contra a MP.

Entenda a CPI

A CPI criada para investigar irregularidades na Petrobras contou com o apoio de 30 senadores, três a mais que o número mínimo necessário para a criação de uma Comissão de Inquérito. O autor do pedido é o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Em seu requerimento, Álvaro destaca os seguintes pontos a serem investigados:

  • Indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo apontados pela operação Águas Profundas da Polícia Federal;
  • Graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontados pelo Tribunal de Contas da União;
  • Indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União;
  • Denúncias de desvios de dinheiro dos royalties do petróleo, apontados pela operação Royalties, da Polícia Federal;
  • Denúncias de fraudes do Ministério Público Federal envolvendo pagamentos, acordos e indenizações feitos pela ANP a usineiros;
  • Denúncias de uso de artifícios contábeis que resultaram em redução do recolhimento de impostos e contribuições no valor de R$ 4,3 bilhões;
  • Denúncias de irregularidades no uso de verbas de patrocínio da estatal.


A CPI vai ter 180 dias para realizar seus trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período. 

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