PMDB reforça aliança com Dilma durante convenção em Brasília

O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), aumenta neste sábado, na convenção nacional do PMDB, seu quinhão de poder dentro do partido. Fiador de uma aliança com o PT, sua reeleição ao comando do PMDB o coloca como favorito interno para ocupar a vaga de vice ao lado da ministra Dilma Rousseff na sucessão presidencial deste ano.

Reuters |

A Executiva da legenda que será escolhida ao final deste sábado terá o poder legal para conduzir as negoaciações da coalizão eleitoral. Temer será o maestro de fato e de direito. Qualquer acordo de chapa, portanto, passará por ele.

"Vamos fazer essa aliança de forma programática, vamos fazer um presidencialismo de coalizão. Não vai haver programa de um partido só, mas de todos os partidos aliados", disse Temer a jornalistas ao final de seu discurso na convenção da sigla.


Temer discursa ao lado de José Sarney / Ag. Brasil

Sua tese encontra obstáculos domésticos. Setores minoritários da legenda advogam por uma parceira com o pré-candidato da oposição, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

Esse grupo chegou a obter liminar na Justiça na noite passada suspendendo a convenção, mas a ala de Temer conseguiu reverter a decisão . A convenção, que se estenderá até o fim do dia, corre tranquila, ao contrário de eventos passados em que as divergências se manifestavam por socos e pontapés.

Esse grupo oposicionista, integrado em parte por aqueles que defendem, também, uma candidatura própria, não apresentou candidato para concorrer.

Seus líderes --os governadores Luiz Henrique (SC), Roberto Requião (PR), os senadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), além do ex-governador Orestes Quércia (SP)-- não compareceram, mas parte das delegações estaduais marcaram presença.

"O PMDB sai dessa convenção extremamente fortalecido, ao contrário de outras convenções. O PMDB apresentou uma única chapa, sem nenhuma disputa", observou o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).

Com sua reeleição, Temer quer iniciar as discussões de uma plataforma programática logo depois do Carnaval. "Depois vamos fazer a junção desses programas com os outros partidos. Acho que vai haver muita convergência", acrescentou.


Cúpula do PMDB decide os rumos do partido em Brasília / Ag. Brasil

Em anos, esta é a primeira convenção do PMDB em que as representações do partido na Câmara e no Senado estão juntas. Durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, Temer ficou na oposição e levou boa parte dos deputados com ele. Os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL) eram os líderes governistas, mas não tinham a maioria do partido.

"Nós certamente vamos partir para uma aliança com o presidente Lula... É uma aliança em que teremos peso e voz... Aceitamos o desafio de construir juntos a continuidade deste governo", disse Temer.

Peso, na verdade, o PMDB já tem. Possui cinco ministérios e está à frente do Banco Central com o recém-filiado Henrique Meirelles. O que o partido deseja, agora, é participar de uma aliança programática. Terá, para isso, a vaga de vice.

O primeiro vice-presidente da legenda é o senador Valdir Raupp (RO) , patrocinado por Renan. Será ele o chefe da sigla caso Michel Temer embarque na disputa presidencial. "Nós vamos chegar em junho com o PMDB totalmente unificado", garantiu Temer.

Na convenção deste sábado, 570 podem votar (senadores, deputados federais e membros de instancias do partido), mas ao todo chegam a 797, uma vez que há membros que podem votar mais de uma vez. Em junho será a convenção para chancelar as alianças para as eleições.

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