PMDB nunca chegou unido a uma eleição presidencial

O PMDB pode celebrar neste ano uma proeza. Desde a redemocratização, nunca chegou unido a uma eleição presidencial. Nem mesmo em 1989, quando o candidato foi Ulysses Guimarães (1916-1992), conhecido como ¿Senhor Diretas¿ e ¿senhor Constituinte¿ pela sua atuação na campanha pelo restabelecimento do direito ao voto de 1984/85 e sua performance na condução da reforma constituinte de 1988.

Marcelo Diego, iG São Paulo |

Na ocasião, Ulysses teve que enfrentar dissidências internas que desejavam o então governador de São Paulo Orestes Quércia como candidato. Waldir Pires, Álvaro Dias e Irís Rezende também se colocaram como pré-candidatos. Ulysses só conseguiu bancar sua candidatura depois de acordo interno.

Arquivo/AE
arquiteto Oscar Niemeyer (d) mostra ao deputado Ulysses Guimarães a maquete da sede do PMDB
Niemeyer mostra a Ulysses Guimarães a maquete da sede do PMDB (1986)

Em 1994, o PMDB teve candidato a presidente pela última vez. Quércia, mal nas pesquisas, foi abandonado por parte do partido, que migrou para a vitoriosa candidatura do tucano Fernando Henrique Cardoso ainda durante as eleições. Em 1998, o PMDB não apoiou oficialmente ninguém. Depois, porém, compôs novamente com FHC.

Nas eleições de 2002, o PMDB apoiou oficialmente o candidato José Serra (PSDB), indicando Rita Camata para a vaga de vice. Mas o partido rachou e parte dos peemedebistas já deu apoio a Lula (PT) antes das eleições.

Em 2006, o partido apoiou Lula. Mas, de novo, vivenciou dissidências. A primeira, quando o ex-governador do Rio Anthony Garotinho chegou a promover uma greve de fome contra a decisão do partido de não lançar candidato próprio à Presidência. Posteriormente, garotinho deixaria a sigla para ir ao PR. Depois, a dissidência se deu em relação ao apoio a Lula. O senador Jarbas Vasconcellos (PE), por exemplo, foi adepto da candidatura Geraldo Alckmin (PSDB) desde o início.

Setores do PMDB que agora apóiam Dilma chegaram a ensaiar o lançamento de uma candidatura própria. O nome desejado, contudo, não era nenhum dos atuais 2 milhões de filiados do partido, mas sim um expoente tucano: o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves. O condutor da negociação foi Michel Temer, presidente do PMDB. Não foram adiante, porém.

O PMDB de hoje é fruto ainda de uma origem conturbada durante o regime militar. Em 1965, o Ato Institucional número dois tornou obrigatório o bipartidarismo no país, extinguindo 13 legendas. No ano seguinte, foi fundado o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), para se contrapor à Arena (governista). O MDB _que viraria PMDB nos anos 80_ agrupava todas as correntes oposicionistas, de comunistas a moderados. O primeiro presidente da legenda foi um general, o senador acreano Oscar Passos.

Em 1970, vivenciou seu primeiro grande racha, entre os moderados, que defendiam negociações com o governo, e os autênticos, que pregavam a derrubada do regime militar, ainda que com uso da força. Em 1974, esse antagonismo voltou com força, com o partido dividido entre os que apoiavam a chamada anticandidatura de Ulysses Guimarães, presidente do partido, e os que a consideravam apenas um instrumento que legitimava o regime militar. Na época, o presidente da República era escolhido pelo voto indireto, por meio do congresso eleitoral. O candidato governista era Ernesto Geisel e Ulysses se posicionou como anticandidato, percorrendo o País com um discurso em favor da abertura do regime. Geisel ganhou por 400 votos a 74.

O auge do PMDB foi vivenciado em 1986, na esteira do sucesso do Plano Cruzado, quando elegeu 22 governadores, 38 senadores e 260 deputados federais. O plano de estabilização da moeda naufragou e o PMDB viveu um novo racha _parte dos integrantes deixou a legenda e formou um novo partido, o PSDB.

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