PMDB fixa data para reeleger Temer ao comando da sigla

BRASÍLIA - As duas principais alas do PMDB, a governista e a que apoia os tucanos na corrida presidencial, abriram a temporada das disputas internas. O comando do partido é crucial para o desfecho da aliança nacional.

Reuters |

Foi exatamente nessa trincheira que o grupo pró-governador de São Paulo, José Serra (PSDB) - pré-candidato à sucessão presidencial -, sofreu sua primeira derrota nesta quarta-feira : não conseguiu adiar a data da convenção que elegerá a nova direção do partido.

Sob protestos desse setor, que prometeu recorrer à Justiça, a Executiva Nacional da legenda marcou para 6 de fevereiro o evento que deve reconduzir o presidente da Câmara, Michel Temer, ao controle peemedebista. Por enquanto, ele defende a aliança em torno da pré-candidata Dilma Rousseff.

Temer e seus aliados - maioria dos senadores, deputados e diretórios estaduais - têm até a quinta-feira para registrar a chapa ao diretório nacional. Até agora, não há concorrentes, assim como também não há dúvidas de que o deputado será reconduzido à cadeira de principal dirigente.

"Se alguém quiser lançar outra chapa, que lance. Mas como eles (oposicionistas) não têm votos, não têm como fazer isso", disse o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Michel Temer - há oito anos no cargo - é cotado para ocupar a vice ao lado de Dilma, mas tem sofrido bombardeios constantes de grupos do PT, contrários à dobradinha. Ninguém verbaliza publicamente, mas, nos jornais, proliferam-se outros nomes, caso do ministro Hélio Costa (Comunicações) e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, recém-filiado à legenda.

"São muitos nomes no PMDB para ocupar a vice, mas não é o momento de discuti-los", disse Temer após a reunião da Executiva.

Em seguida, deu sua receita de um bom vice: "Deve unir o partido e ter capacidade de conciliar... Quem quer ser minimamente estadista, tem de saber conciliar."

E é justamente esse condimento que assegura a ele um lugar na lista de possíveis nomes: capacidade de trazer a maior parte da legenda à campanha da ministra da Casa Civil.

A unidade em torno de um projeto presidencial, necessariamente, passa por ele, com ou sem vaga ao lado de Dilma.

"Acho muito positiva (a reeleição de Temer), porque ele tem um papel bastante importante em trazer o conjunto do PMDB para a base do governo", declarou mais cedo o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais).

Internamente, o desafio nas próximas horas será achar um vice-presidente do PMDB que contemple outros setores do partido e que, caso Temer venha a ocupar efetivamente a vice-presidência da República, mantenha sua atual influência dentro do partido.

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