PMDB e PT ameaçam retaliar DEM por caso Sarney

Irritados com a decisão do DEM de pedir o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o PMDB e o PT ameaçam retaliar os democratas, que comandaram em 10 dos últimos 18 anos a Primeira-Secretaria da Casa. Os governistas defendem uma ampla investigação nos atos do órgão.

Agência Estado |

Responsável pela administração do Senado e pelas negociações de contratos, que vão desde a seleção de mão-de-obra terceirizada à negociação com empresas para prestação de serviços, a Primeira-Secretaria é conhecida como “o cofre” da Casa.

É nesse órgão, ao qual o diretor-geral do Senado é subordinado, que transita grande parte do dinheiro orçamento da Casa. “O DEM sai com uma lista contra o Sarney pela porta da frente e com o cofre pela porta de trás”, afirmou ontem Wellington Salgado (PMDB-MG).

“Estão procurando um bode expiatório. Querem dividir a culpa e a responsabilidade”, reagiu o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). “Eles estão querendo fugir do desgaste com a decisão de manter o apoio a Sarney”, completou o líder, ao lembrar que o diretor-geral é escolhido pelo presidente do Senado. O ex-diretor Agaciel Maia, hoje alvo de investigação pela edição de atos secretos, comandou a parte administrativa da Casa desde 1995.

A senha de que os peemedebistas e petistas - que ficaram praticamente sozinhos na defesa da permanência de Sarney - estão com sede de vingança em relação ao DEM foi dada ontem pelo líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP). Do púlpito do plenário, em um discurso que durou mais de três horas, ele fez questão de lembrar que o DEM é o responsável pela administração da Casa, pelo menos, desde 2003.

“A responsabilidade administrativa dos democratas é muito grande. Vocês têm de assumir isso. Vocês têm de dialogar com a sociedade e com os outros pares aqui com franqueza e com humildade. Simplesmente sair da posição, deixar a aliança que vocês que criaram há alguns poucos meses e empurrar a crise simplesmente à presidência não é justo. Não é justo”, bradou Mercadante da tribuna. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

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