A candidatura própria à Presidência da República pelo PMDB foi amplamente defendida por governadores e presidentes de vários diretórios nacionais do partido, em reunião, neste sábado, em Curitiba. Mas, se a tese não for vitoriosa, outro embate deve tomar conta do partido: a quem será dado o apoio.

Tanto o PT quanto o PSDB têm simpatizantes. "É uma questão a ser resolvida pela convenção nacional, podemos ter candidatura própria, que é desejado pelas bases, mas, se isso não for possível, podemos compor com um candidato e um partido que some programaticamente conosco", disse o governador do Paraná, Roberto Requião.

Para ele, que declarou ser amigo do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e disse considerar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), uma "pessoa extraordinária", o mais importante é saber o que o PMDB tem a acrescentar ao "misto de mudanças que foi o governo Lula". "Preservar a sensibilidade social do Lula à qual acrescentaremos o fim do predomínio do capital financeiro", propôs. No caso de não ser aprovada a candidatura própria, o governador paranaense afirmou ter preferência por apoiar o PT.

Já o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia disse que há uma tendência de se discutir a candidatura própria. No entanto, ele acredita que isso dificilmente acontecerá porque não existe "um candidato que se proponha e que some o partido". Para Quércia, quem decide os rumos do PMDB "não é o grupo que está em Brasília, que não consultou a base". O ex-governador afirmou que, caso não seja possível construir a candidatura própria, defenderá, na convenção, o apoio a Serra.

O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, não levanta hipóteses em relação a qual partido apoiar. "Nenhuma tese derruba a candidatura própria", afirmou. "O partido que não aspira chegar ao poder não é partido, é congregação mariana."

Segundo o governador catarinense, a proposta fundamental que o PMDB precisa apresentar é a da descentralização. "Revogar o Brasil de Brasília e instituir o Brasil dos Brasis, modificando o pacto federativo, colocando nova divisão do bolo tributário", ressaltou. "Todos estamos conscientes de que primeiro temos que firmar essa tese e, depois, apresentar um programa para, a partir daí, surgir um nome."

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