No embalo da queda de popularidade da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, registrada na pesquisa CNI/Ibope, o PMDB afinado com a candidatura tucana do governador de São Paulo, José Serra, desembarcou em Brasília para enquadrar o PMDB do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi esse o propósito da visita de três presidentes de diretórios estaduais do PMDB - o ex-governador Orestes Quércia (SP), o senador Jarbas Vasconcelos (PE) e o deputado Ibsen Pinheiro (RS) - ao presidente da Câmara e presidente licenciado do PMDB, deputado Michel Temer (SP).

Preocupado com as cobranças de Temer, que em entrevista ao Estado exigiu definição do PT sobre aliança com PMDB até outubro, Quércia agiu para impedir que a ala governista, hoje majoritária no partido, feche acordo com Lula. "Não é o momento de se tomar decisão. Há mudanças ocorrendo, que poderão atingir o quadro político nos Estados e virar a maioria pró-Serra", ponderou Quércia. Ninguém falou em pesquisa, mas Jarbas, Ibsen e Quércia insistiram na tese de que "política muda muito e o quadro daqui a 60 dias, pode não ser o de hoje".

Temer - que é o peemedebista mais cotado para a vaga de vice na chapa presidencial do PT - vai ampliar as consultas internas e incentivar o debate sucessório, mas o calendário de outubro está mantido. Enquanto Quércia estendia os apelos ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no início da noite, Temer dirigia-se ao gabinete da ministra da Casa Civil. Mal acabara de receber o trio, o deputado teve conversa com a ministra Dilma sobre 2010.

Ficou acertado que o diálogo entre PT e PMDB deve ser intensificado para apressar a definição sobre a aliança. A ideia é aguardar a volta do presidente Lula, em viagem oficial no exterior. A esperança da ala serrista de mudar o quadro partidário pró-Lula não decorre apenas das dificuldades da candidatura Dilma. O grupo aposta que pode ganhar força no confronto entre PT e PMDB em Estados-chave, como Bahia, Paraná, Pará e Minas, onde petistas e peemedebistas ensaiam disputar entre si os respectivos governos.

Quércia lembrou que esteve em Belo Horizonte há dez dias para propor ao governador mineiro Aécio Neves (PSDB) que apoie o ministro de Comunicações, Hélio Costa (PMDB), na sucessão estadual. "Se o Serra não sair candidato, apoiamos você. Todo o PMDB dissidente ficará com você se nos ajudar apoiando o Hélio em Minas", propôs Quércia a Aécio. "Não se pode emparedar os Estados."

Quércia se diz convencido de que a política estadual vai orientar a definição nacional do partido. Na conversa com o trio peemedebista, Temer disse que "esperar até junho não dá". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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