PM de SP ocupa Paraisópolis com mais de 200 agentes

A Polícia Militar (PM) manteve a ocupação da favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, durante a madrugada, depois do confronto que deixou ao menos cinco feridos - entre eles três policiais e dois moradores - ontem. De acordo com a assessoria de imprensa da corporação, 221 PMs, com 38 viaturas do policiamento e outras 22 da Tropa da Choque, permaneceram na favela por toda a madrugada, que não registrou mais incidentes.

Agência Estado |

Helicópteros águia sobrevoaram o local até o início da manhã. Um coquetel molotov, espécie de bomba caseira, foi encontrado por policiais na favela. As carcaças dos carros, alvos de vandalismo, estão sendo removidas. Todas as linhas de ônibus que possuem no itinerário ruas no entorno de Paraisópolis operam normalmente, segundo a São Paulo Transportes (SPTrans). Por causa do confronto entre supostos bandidos e PMs, muitos ônibus não tiveram como passar ontem pelas ruas próximas à favela.

O comerciante Derval Olímpio da Silva, de 44 anos, foi atingido dentro da sua casa no momento em que esperava o filho de 15 anos chegar da escola. Segundo a esposa dele, os autores dos disparos foram policiais militares. "Estava com o meu esposo na sacada esperando o meu filho chegar da escola quando eles (PMs) passaram falando: 'Entra, entra'. Eu entrei e chamei meu marido e ele falou para os policiais que não ia entrar porque estava esperando o filho. Daí, o cara já foi atirando e meu esposo botou a mão no peito", disse Jucileide Dias de Almeida Silva, de 40 anos, que trabalha com o marido no laboratório de fotografia da família.

"Por pouco o meu filho mais novo, de 2 anos e 10 meses, não foi atingido. Ele estava no colo do pai e meu marido colocou ele no chão um pouco antes, mas ele viu tudo", lamentou. O casal ainda tem mais um filho, de 9 anos, que estava dentro de casa no momento dos disparos. Conforme ela, Silva não esboçou nenhuma reação no momento em que foi abordado pelos policiais. "Do jeito que ele estava, com os braços para baixo e debruçado na sacada, ele ficou."

Segundo familiares, Silva foi atingido no braço e no peito. Ele foi socorrido por um vizinho e levado ao Hospital Albert Einstein. De acordo com a sala de imprensa da PM, o comerciante foi atingido por um tiro de borracha. Ele passou por uma cirurgia durante a madrugada e deve ser ouvido no 89º Distrito Policial (Portal do Morumbi) já na manhã de hoje, caso tenha alta do hospital.

Pedreiro

Pouco antes, o servente de pedreiro Marcione dos Santos, de 21 anos, foi baleado no ombro quando chegava do trabalho. "Nem imaginava o que estava acontecendo, só senti o tiro quando estava na viela na Rua Wilson", disse. "Não tenho a menor ideia de onde veio o tiro. Só rodei e senti o sangue escorrendo." O servente foi socorrido por um primo e levado ao Hospital do Campo Limpo, onde foi examinado, medicado e liberado. Ele ficou com a bala alojada no ombro e não soube dizer se o projétil é convencional ou de borracha. "Os médicos não comentaram nada."

Os três policiais militares feridos - entre eles o capitão Eliezer Klinger Soares Fernandes, baleado no abdome - foram transferidos para o Hospital da Polícia Militar (HPM) e, de acordo com a assessoria de imprensa da corporação, permaneciam em estado estável até o final da madrugada de hoje. Um quarto policial foi atingido por uma pedrada, mas nem chegou a ser encaminhado para o hospital.

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