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PM constata erro na execução da operação que resultou na morte de sem-terra no RS

O comandante-geral da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, coronel João Carlos Trindade, informou neste sábado, em nota, que a Polícia Militar (PM) contatou erro na execução da operação durante reintegração de posse de um acampamento montado em uma fazenda em São Gabriel (RS) na sexta-feira, que culminou na morte do trabalhador rural sem-terra Elton Brum da Silva, 44 anos.

Redação |


Durante conflito entre integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e soldados da Brigada Militar (a polícia militar gaúcha), Elton Brum foi atingido nas costas por um tiro de espingarda calibre 12, de uso das forças de segurança. Outros nove sem-terra e seis policiais militares ficaram feridos. A informação é do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que acusa a BM pelo tiro que matou seu militante.

Trindade afirma que "houve instrução preparatória do Comando da tropa executora da operação, para os efetivos envolvidos, onde foi reforçada a determinação de uso exclusivo de munição não letal". Mas o próprio comandante-geral aponta que "constatou-se erro na execução da operação, na medida em que o planejamento do Comandante-Geral não foi seguido na íntegra".

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A PM afirma que já foram identificados os policiais que manusearam o armamento de mesma característica e calibre que terria sido utilizado na morte de Elton Brum da Silva. No entanto, Trindade afirma que os policiais que usaram este tipo de armamento foram unânimes em afirmar que só usaram munição não letal.

Todos os armamentos, munições e imagens que foram considerados relacionados à morte foram apreendidos e entregues para os investigadores. Não foram feitas cópias das imagens.

A operação

Uma área da propriedade rural de 5 mil hectares estava sob ocupação desde o dia 12. Ao amanhecer, cerca de 300 policiais militares cercaram os sem-terra para cumprir mandado judicial de reintegração de posse e fazê-los sair do local.

O prazo para a desocupação estava encerrado desde sábado, mas os cerca de 270 sem-terra manifestavam disposição para ficar no local. A Brigada Militar cercou o acampamento com suas tropas e levou junto um caminhão de bombeiros, uma ambulância, conselheiros tutelares e uma representante do Ministério Público, a promotora Lisiane da Fonseca.

Os policiais usaram uma retroescavadeira e um trator para abrir caminho na barricada formada por galhos secos e uma pequena trincheira cavada em círculo em torno das barracas. Em meio à operação houve um confronto, durante o qual o tiro foi disparado. A causa e a circunstância em que Silva foi atingido não estavam esclarecidas até o final desta sexta-feira.

O coronel Hildebrando Sanfelice, chefe do Estado Maior da Brigada Militar, disse que a Brigada Militar avançou enfrentando foices, paus e pedras. Além das armas não letais para dissuasão dos invasores, alguns soldados portavam revólveres e espingardas carregados. Segundo a versão da corporação, os policiais avistaram um ferido caído ao chão e prestaram socorro, levando-o a uma ambulância, que seguiu para a Santa Casa de Caridade de São Gabriel, a 22 quilômetros. O conflito acabou em pouco menos de cinco minutos.

O comandante-geral da Brigada Militar, o coronel João Carlos Trindade Lopes, viajou até o local para analisar a situação e iria retornar a Porto Alegre ainda nesta sexta-feira.

Em nota, o PSol criticou a Brigada Militar e responsabilizou a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, pela "arbitrariedade". "A repressão e a truculência aos movimentos sociais são usados, novamente, como tentativas de silenciar a voz dos que lutam por justiça social", informa a nota do partido.

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