PM acusado de matar João Roberto é julgado no Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO - O policial militar Wiliam de Paula acusado pela morte do garoto João Roberto Soares, de 3 anos, no dia 6 de julho, é julgado nesta quarta-feira no Rio de Janeiro. A mãe de João, Alessandra Amorim Soares, reafirmou, durante depoimento ao juiz, que não houve perseguição e que seu carro foi alvejado quando parou para dar passagem à polícia.

Redação |

AE
João Roberto, de 3 anos
O júri popular do soldado é realizado no 2º Tribunal do Júri da Capital, no centro da cidade, e começou por volta das 10h40.

Segundo o Tribunal de Justiça, Alessandra foi a primeira testemunha ouvida e que contou o que aconteceu no dia do crime. "Quando entrei na rua Espírito Santo Cardoso, já na Tijuca, passou por mim um carro de cor escura em alta velocidade, que acabou batendo em outro carro que estava parado no sinal. Vi pelo retrovisor que uma viatura da polícia se aproximava também em alta velocidade. Então, eu liguei a seta e encostei o carro para dar passagem à polícia. Virei para trás e pedi para o João Roberto se abaixar e também me abaixei com meu outro filho, Vinicius. O João se levantou e perguntou porque, mamãe? e eu gritei abaixa, abaixa, porque tinha começado a ouvir tiros, mas quando olhei para trás de novo ele já havia sido baleado", declarou em seu depoimento ao juiz.

Segundo ela, foi neste momento que abriu a porta e jogou uma bolsa de criança para fora, para mostrar que não estava sozinha no carro. "Naquela hora a eu já tinha percebido que o alvo dos tiros era o meu carro, contou.

Conforme o TJ, Alessandra disse que neste momento saiu da viatura um policial com uma arma, que ela reconheceu como sendo Willian de Paula, e perguntou "cadê o cara?". A mãe de João Roberto respondeu que não havia cara nenhum e que seu filho estava baleado. A defesa não fez nenhuma pergunta à Alessandra.

O segundo a depor foi o coronel Rogério Leitão, relações públicas da Polícia Militar. Segundo o TJ, Leitão disse que os PMs não agiram de acordo com o manual da polícia, que determina que só devem atirar em legítima defesa.

A terceira testemunha ouvida foi Maurício Augusto, que assistiu a uma parte da ação dos policiais da janela do seu apartamento, que fica no 3º andar da avenida onde os disparos aconteceram.

Ainda estão previstas para serem ouvidas, nesta quarta-feira, outras quatro testemunhas de acusação.

Conforme informações do TJ, o outro policial acusado pela morte de João Roberto, Elias Gonçalves da Costa Neto, entrou com recurso contra a sentença de pronúncia e seu julgamento ainda não foi marcado. Os dois respondem por homicídio duplamente qualificado e outras duas tentativas de homício, contra a mãe do garoto, a advogada Alessandra Amorim Soares, e o irmão, Vinícius Soares. 

A decisão de levá-los a júri popular foi proferida no dia 17 de outubro pelo juiz do 2º Tribunal do Júri da Capital, Paulo de Oliveira Lanzellotti Baldez. Para o magistrado, há indícios suficientes de que os PMs foram os autores dos crimes descritos na denúncia apresentada pelo Ministério Público.

Pensão para a família

No dia 15 de setembro, a juíza Cristiana Aparecida de Souza Santos, da 4ª vara da Fazenda, determinou que o Estado pague uma pensão de R$4.150, o que equivalente a dez salários mínimos, ao pai de João Roberto, o taxista Paulo Roberto Barbosa Soares. A pensão deve ser paga durante seis meses. Além disso, a família do menino terá direito a tratamento psiquiátrico no valor de três salários mínimos mensais (R$1.245).

O caso

João Roberto foi baleado na cabeça, no dia 06 de julho deste ano, durante uma perseguição de policiais do 19º BPM (Tijuca) a bandidos, na rua General Espírito Santo Cardoso, a poucos metros da delegacia do bairro.

Os agentes perseguiam um veículo Fiat Stilo preto, onde estariam os criminosos que teriam assaltado pessoas momentos antes. A mãe de João Roberto, que dirigia um Palio Weekend cinza chumbo, parou o veículo para dar passagem à polícia. No entanto, o seu carro foi atingido por 17 tiros de pistola e fuzil, disparados pelos PMs.

Além de João, Alessandra Soares estava com seu outro filho, Vinícius Soares, de três meses. Ela ficou ferida por estilhaços na barriga e na perna. O bebê saiu ileso.

Imagens da câmera de segurança de um edifício da rua mostraram que a advogada chegou a jogar a mochila de um dos meninos pela janela, para mostrar aos policiais que os bandidos estavam em outro carro.

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