RIO DE JANEIRO ¿ O policial militar Willian de Paula, um dos acusados pela morte do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, em julho deste ano, disse nesta quarta-feira que no dia da tragédia que vitimou a criança ele revidou os disparos feitos por um dos criminosos que estavam sendo perseguidos. Segundo o PM, ao entrar na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca, zona norte do Rio, em perseguição ao Fiat Stillo, de cor preta, onde estariam três bandidos, ele revidou os tiros dados por um deles, que estava no banco de trás. Para Willian de Paula, provavelmente, um desses tiros teria atingido o carro de Alessandra Amorim Soares, mãe de João Roberto.

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A afirmação foi feita nesta quarta-feira durante o julgamento do policial que está acontecendo desde as 10h40, no 2º Tribunal do Júri da Capital, no centro do Rio de Janeiro. O PM foi interrogado pelo juiz Paulo Baldez após os depoimentos de três testemunhas de acusação. A defesa dispensou os depoimentos de duas testemunhas por ela arroladas.

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João Roberto, de 3 anos

Ainda em seu depoimento, Willian de Paula declarou que havia pouca iluminação no local e não reconheceu o carro da vítima, um Fiat Palio Weekend, de cor prata, onde estavam Alessandra, João Roberto e outro filho de 9 meses. De acordo com o PM, ao sair do carro da polícia para abordar os ocupantes do Palio de Alessandra, confundido com o automóvel dos criminosos, ele fez três disparos, sendo um de advertência, outro, que atingiu um carro que estava parado na rua, e um terceiro, que furou o pneu do carro da vítima.

"Infelizmente, eu passei a acreditar que era o carro dos meliantes. No meu inconsciente, era o Fiat Stillo de cor escura", afirmou o PM.

O policial lamentou o ocorrido e disse que ficou traumatizado, pois é pai de família e tem filhos. Segundo ele, a cena foi tão chocante que não teve condições de tirar a criança baleada do carro. O PM relatou que não conseguiu identificar a bolsa que a mãe do menino jogou pela janela do automóvel, a fim de alertar que havia crianças no carro.

Willian de Paula disse que está há 11 anos na Polícia Militar e que nunca foi preso ou processado. Ele está lotado no 6º BPM (Tijuca), numa área que, segundo ele, possui muitos conflitos. O policial contou durante o depoimento que há três anos não passa por um curso de reciclagem e nunca fez na PM curso de técnicas de abordagem, mas recebeu instruções de como abordar um carro e de como perseguir um automóvel em fuga.

"Infelizmente, naquele momento ali era o meio que eu pude usar", comentou ele, reconhecendo que o padrão de abordagem ensinado pela Polícia Militar nem sempre funciona. "São situações e situações", disse.

Ainda serão realizados os debates entre a acusação e a defesa. O outro policial acusado, Elias Gonçalves da Costa Neto, entrou com recurso contra a sentença de pronúncia e teve o processo desmembrado. Seu julgamento ainda não foi marcado.

Depoimento da mãe da vítima

Na manhã desta quarta-feira, a mãe de João Roberto, Alessandra Amorim Soares, reafirmou, durante depoimento ao juiz, que não houve perseguição no dia do incidente e que seu carro foi alvejado quando parou para dar passagem à polícia.

"Quando entrei na rua Espírito Santo Cardoso, já na Tijuca, passou por mim um carro de cor escura em alta velocidade, que acabou batendo em outro carro que estava parado no sinal. Vi pelo retrovisor que uma viatura da polícia se aproximava também em alta velocidade. Então, eu liguei a seta e encostei o carro para dar passagem à polícia. Virei para trás e pedi para o João Roberto se abaixar e também me abaixei com meu outro filho, Vinícius. O João se levantou e perguntou porque, mamãe? e eu gritei abaixa, abaixa, porque tinha começado a ouvir tiros, mas quando olhei para trás de novo ele já havia sido baleado", declarou.

Segundo Alessandra, foi neste momento que abriu a porta e jogou uma bolsa de criança para fora, para mostrar que não estava sozinha no carro. "Naquela hora eu já tinha percebido que o alvo dos tiros era o meu carro, contou.

A mãe de João Roberto disse ainda que um policial com uma arma, que ela reconheceu como sendo Willian de Paula, saiu da viatura e perguntou "cadê o cara?". Alessandra respondeu que não havia cara nenhum e que seu filho estava baleado.

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