SÃO PAULO ¿ Em matéria publicada na manhã desta quinta-feira, o Último Segundo informou sobre a escassez de uma substância radioativa que já deixou mais de http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/07/30/200+mil+pacientes+ficam+sem+atendimento+no+brasil+por+falta+de+substancia+radioativa+7572989.html200 mil pessoas sem exames para diagnóstico de câncer, doenças cardíacas, entre outras, em todo Brasil nos últimos dois meses, de acordo com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). Entre os prejudicados estão clientes de planos de saúde, que autorizam o atendimento mesmo com a insuficiência do material. ¿Os planos devem esclarecimento sobre a falta da substância¿, afirma a assistente de direção do Procon, Selma do Amaral.

De acordo com a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor, o paciente que se sentir prejudicado deve cobrar do plano, e não do órgão que lhe negou atendimento, como os hospitais, já que o contrato do cliente é assinado diretamente com o plano de saúde. Se o médico pediu o exame, o plano tem que cobrir e não pode dizer que não sabe de nada, esclarece Selma.

A tradutora Hanako Tsujimoto, de 54 anos, passou por cirurgia para retirada de um tumor maligno no colo do útero há um mês e deveria começar, em seguida, o tratamento de radioterapia. Seu plano de saúde, Medial, autorizou o tratamento, mas o laboratório Omni-CCNI recusou a realizar o exame. Neste caso, o Procon orienta que a paciente exija explicações do plano de saúde. Quem está enfrentando este problema, ou problemas similares com relação a qualquer outro exame, deve imediatamente pedir esclarecimento do plano, orienta.

A Medial afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não realiza exames com a substância radioativa em falta, o Molibdêndio. Por isso, o plano não tinha conhecimento de que o material estava escasso, prejudicando o atendimento aos seus clientes. Os exames são realizados em clínicas terceirizadas, ou seja, são credenciadas. Esses não têm obrigação formal de avisar a Medial caso haja falta de algum material ou medicamento. Após a publicação desta reportagem, a Medial enviou uma nota de esclarecimento .


Laboratório Nacional Oak Ridge, no Canadá (NYT)

O engenheiro industrial Fernando Colela, de 62 anos, faria um exame de rotina na última quarta-feira e teve o atendimento cancelado pelo laboratório Omni-CCNI por falta do material radioativo. Eu posso esperar seis meses, quanto tempo precisar, contou. Caso o atendimento não seja agendado, o médico de Colela substituirá o exame. Como seu caso não é grave ou urgente, o engenheiro não registrou nenhuma reclamação sobre o cancelamento.

Alertas à população e à classe médica

Muitas vezes, os pacientes não são bem informados sobre os motivos dos cancelamentos. Para tentar minimizar as dúvidas e alertar à população, o presidente do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular, Adelanir Antonio Barroso, também divulgou uma carta alertando sobre a crise.

Na carta, intitulada " Crise de abastecimento na medicina nuclear brasileira prejudica o atendimento à população ", Barroso explica que por uma crise na produção de um reator canadense e por não produzir essa substância, o Brasil está sofrendo com a falta de material radioativo no atendimento "a milhões de pacientes em todo o País". Ele cita diversos hospitais em vários Estados e chama a atenção da comunidade brasileira, da mídia nacional e da classe política do País.

No dia 22 de maio, o Ipen divulgou uma nota urgente direcionada às clínicas médicas, hospitais e profissionais da saúde alertando sobre a futura dificuldade no fornecimento de Mo-99 (Molibdênio). Na carta, o superintendente Nilton Dias Vieira Soares afirma que já se sabe que há uma crise mundial. Leia a retrospectiva da crise no fornecimento .

Um dos casos citados nesta reportagem, que deu origem à pauta sobre a escassez da substância que já afetou mais de 200 mil pessoas, aconteceu com a mãe da jornalista Nara Alves.

Saiba mais sobre: medicina nuclear

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.