Plano safra 09/10 eleva em 37% o crédito agrícola para R$107,5 bi

Por Marcelo Teixeira SÃO PAULO (Reuters) - O governo federal elevou fortemente os recursos que estarão disponíveis para o setor agropecuário, principalmente a agricultura empresarial, no próximo ano safra, para estimular o crescimento da produção.

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No total, estarão disponíveis 107,5 bilhões de reais para o setor em 2009/10 (julho-junho), volume 37 por cento maior que o do ano passado.

O crescimento das linhas de crédito foi maior para a chamada agricultura comercial de grande escala, que terá 92,5 bilhões de reais, ante 65 bilhões em 2008/09, alta de 42,3 por cento.

O crédito para a chamada agricultura familiar, em comparação, subiu 15,3 por cento, para 15 bilhões de reais.

"A edição (do plano) para a safra 2009/2010 tem como foco central o incentivo ao médio produtor rural, ao cooperativismo e à produção agropecuária com respeito ao meio ambiente", informou o Ministério da Agricultura nas notas sobre o PAP 2009/10 (Plano Agrícola e Pecuário).

O volume total de recursos ficou um pouco acima do que esperava o mercado. Analistas e o próprio ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, haviam falado em volume de aproximadamente 100 bilhões de reais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Agricultura vão lançar oficialmente o programa na segunda-feira, em Londrina (norte do Paraná).

Agricultores brasileiros tiveram um cenário complicado em relação a crédito na safra passada, o que levou a uma redução no investimento no campo e a uma safra menor do que o potencial.

Houve menor gasto com insumos como fertilizantes, o que resultou em queda na produtividade.

A pouca disponibilidade de dinheiro no campo foi resultado do aperto no crédito global, que levou tradings e fabricantes de insumos a reduzirem os financiamentos ao setor, e também a questões de inadimplência de muitos produtores, o que impede que eles acessem linhas oficiais de crédito.

A estagnação da produção tem preocupado o governo.

Além do PAP de 107,5 bilhões de reais, circulam comentários de que o governo possa formar um fundo garantidor para o setor rural de até 10 bilhões de reais, que avalizaria as operações financeiras com os bancos, facilitando o processo de obtenção de financiamentos.

FOCO NO MÉDIO PRODUTOR E PREOCUPAÇÃO AMBIENTAL

Apesar do foco no agricultor médio, o governo também tentou contemplar no novo plano as preocupações sobre a questão ambiental, que ameaça prejudicar os mercados para alguns produtos agropecuários brasileiros.

Em linhas como o Proger, foi dobrado o limite de renda de produtores que podem participar. Agora, agricultores que tenham renda de até 500 mil reais anualmente podem acessar esse tipo de crédito.

"O novo Proger Rural foi desenhado com a intenção de dar ao médio produtor condições para crescer mais e reforçar a sua contribuição no desenvolvimento da economia do país", disse o secretário de Política Agrícola, Edílson Guimarães.

Do total de recursos do plano, 54,2 bilhões serão com juros controlados de 6,75 por cento ao ano. Essa parcela de crédito a juros subsidiados pelo governo cresceu 20,8 por cento ante o ano passado e poderá ser acessada por um maior número de produtores, já que os limites para participação foram afrouxados.

Na área de conservação, o governo elevou em 50 por cento o crédito para recuperação de áreas degradadas, para 1,5 bilhão de reais.

No lançamento do plano, na segunda-feira, Lula deverá homenagear o produtor Herbert Arnold Bartz, considerado o pioneiro da técnica de plantio direto no Brasil (sistema em que o cultivo da próxima safra é realizado sobre a palha da safra anterior, sem queimada ou revolvimento da terra, o que reduz o dano pela atividade agrícola nos solos).

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