Plano quer dobrar leitos para dependentes de crack

Governo quer criar centros de tratamento que funcionem 24 horas por dia, algo que faltava na rede pública no combater a drogas

iG São Paulo |

O governo pretende dobrar o número de leitos para tratamento de dependentes químicos nos hospitais gerais do País. Essa é uma das primeiras ações previstas no Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack, lançado nesta quinta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O plano contará com R$ 410 milhões para combater o crack neste ano. 

Segundo a ministra interina da Saúde, Márcia Bassit, a pasta destinará, de imediato, R$ 90 milhões para ampliar o número de leitos nos hospitais de 2,5 mil para 5 mil. 

Além disso, o ministério pretende promover a transformação de 110 centros especializados em álcool e drogas (Caps-AD), em municípios com mais de 250 mil habitantes, em CAPS 3, que funcionarão 24 horas por dia. 

Agência Brasil
Entrevista coletiva sobre as ações previstas no Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack
Durante a entrevista coletiva na qual o plano foi detalhado, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, disse que não há "solução mágica" para o enfrentamento do crack e que é preciso haver engajamento dos governos, da imprensa e da sociedade. 

"É necessário um trabalho como foi e tem sido desenvolvido para o enfrentamento da aids", lembrou o ministro. Segundo ele, o programa "não tem novidades", mas sim a intensificação de esforços e a destinação de recursos "para fazer melhor o que já fazemos".

O decreto, segundo explicação do presidente Lula, prevê capacitação de lideranças locais, como igrejas, escolas e sindicatos, para o trabalho de conscientização sobre o uso do crack e seus efeitos.

"O crack ainda é uma coisa nebulosa. Nós já sabemos os efeitos que ele causa, já sabemos a dureza para quem utiliza o crack. Mas cientificamente tem poucos estudos sobre a questão do crack", disse o presidente."Não vamos deixar uma geração de jovens brasileiros perder um futuro cada vez mais promissor".

No combate ao tráfico, o presidente Lula ressaltou que é preciso mapear as rotas da comercialização ilegal, principalmente nas fronteiras, para reprimi-la. "O plano de enfrentamento do uso do crack prevê coordenação de ações entre saúde, educação, assistência social e segurança pública", disse Lula.

Lula aproveitou o evento com prefeitos para ressaltar a importância do engajamento dos gestores municipais no enfrentamento da droga. Segundo o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a apreensão da pasta base de cocaína – usada para produzir as pedras de crack - cresceu de 500 quilos, em 2008, para 4,5 mil quilos em 2009. Proporcionalmente, a apreensão de crack foi maior do que outros tipos de droga, como a maconha e a própria cocaína. 

No plano de ação de combate ao crack, o governo federal também pretende trabalhar para obter dados mais precisos sobre o consumo da droga nas cidades brasileiras, fato que foi criticado pelo representante do Escritório das Nações Unidas (ONU) sobre Drogas e Crime , Bo Mathiasen.

Diferente de tudo

"Os profissionais da área de saúde e os funcionários de clínicas estão atônitos. O crack é diferentes de todas as outras drogas que conhecemos ”. A frase é do do coordenador do Instituto Minas pela Paz e coordenador do Centro de Estudos e Pesquisa em segurança pública da PUC Minas, Dr. Flávio Sapori.

Flávio Sapori foi um dos palestrantes do “1º Simpósio Sulamericano de política sobre Drogas: crack e cenários urbanos”, que aconteceu em Belo Horizonte neste mês e discutiu os problemas do impacto do consumo de crack na segurança e na saúde pública, a descriminalização de drogas, e as experiências sobre o assunto na América do Sul.

*com informações da Agência Estado e Agência Brasil

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