Plano de segurança de museus de SP segue no papel

SÃO PAULO - Seis meses depois de o Museu de Arte de São Paulo (Masp) ter sido alvo de ladrões, a Secretaria de Estado da Cultura não executou algumas das principais medidas do plano de segurança dos museus do Estado. Nenhum dos museus cuidados pela secretaria recebeu detectores de metais.

Agência Estado |

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Polícia divulgou retratos-falados
As únicas medidas estudadas que saíram do papel, segundo o próprio secretário da Cultura, João Sayad, foram a contratação de guardas para alguns museus e a adoção de uma segurança mais apropriada em um deles. Ficaram de fora medidas estudadas, como o monitoramento ininterrupto das câmeras de segurança e o reforço do controle de incêndio.

No dia 20 de dezembro de 2007, bandidos arrombaram uma porta de ferro e levaram o quadro 'Retrato de Suzanne Bloch', de Pablo Picasso, e 'O Lavrador de Café', de Cândido Portinari, do Masp. As obras foram recuperadas em janeiro pela polícia. Desde então, a secretaria, o Corpo de Bombeiros, o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) e outros órgãos do governo se uniram para estudar a situação de segurança dos museus do Estado.

Ontem, os ladrões voltaram a agir e desta vez, armados. Ao meio-dia, três criminosos pagaram R$ 12 de entrada para roubar quatro obras da Estação Pinacoteca avaliadas em R$ 1 milhão. Levaram 'Mulheres na Janela' (1929), óleo sobre cartão de Di Cavalcanti; 'O Pintor e seu Modelo' (1963), gravura de Pablo Picasso; 'Minotauro, Bebedouro e Mulheres' (1933), outra gravura de Picasso; e 'Casal' (1919), guache sobre cartão de Lasar Segall.

A Pinacoteca era o mais seguro dos nossos museus, disse Sayad. Roubo armado é sempre mais difícil evitar, prosseguiu ele. A ação dos criminosos surpreendeu a secretaria. Nós não esperávamos um roubo à mão armada, como ocorre em vários locais da cidade. O secretário revelou ontem que os detectores de metais estão sendo providenciados e que a Estação Pinacoteca deve estar entre os museus que vão receber o equipamento. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

O roubo

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"O pintor e seu modelo", de Pablo Picasso
Por volta da 12h desta quinta-feira, pelo menos três homens, um deles armado, invadiram a estação e roubaram quatro quadros. A informação foi confirmada pela Polícia Militar, pelo Deic da Polícia Civil e pelas secretarias de Segurança (SSP) e de Cultura do Estado.

As obras pertencem à Fundação Jose e Paulina Nemirovsky e estavam expostas no segundo andar do edifício.

As obras furtadas são: "Casal" (1919), de Lasar Segall, guache sobre cartão; "O pintor e seu modelo" (1963), de Pablo Picasso, gravura a água-tinta, ponta-seca e buril sobre papel; "Minotauro, bebedor e mulheres" (1933), de Pablo Picasso, gravura a água-forte sobre papel; "Mulheres na janela" (1926), de Di Cavalcanti, pintura a óleo sobre cartão.

Os quatro trabalhos têm um valor aproximado de R$ 1 milhão. A Secretaria de Estado da Cultura se pronunciará após a conclusão das primeiras investigações. O edifício da Estação Pinacoteca permanecerá fechado no resto do dia de hoje e reabrirá na sexta-feira.

A Pinacoteca

A Estação Pinacoteca é um local de exposições mantida pelo Governo

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casal
"Casal" (1919), de Lasar Segall
do Estado de São Paulo. Fica localizada no centro da cidade, no bairro da Luz, ao lado da Sala São Paulo e da Estação Júlio Prestes.

O prédio foi inaugurado em 1914. Antes de se tornar esse espaço cultural, o prédio pertenceu à administração da Estrada de Ferro Sorocabana. Durante o período da ditadura militar, o local se tornou sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), para onde eram mandados os presos políticos.

O prédio ocupado pela Pinacoteca do Estado foi projetado por Ramos de Azevedo em 1897, para abrigar o Liceu de Artes e Ofícios, instituição que formava técnicos e artesãos para construir as cidades que se enriqueciam com o café.

A Pinacoteca passou por uma grande reforma durante o governo Mário Covas, e, hoje, abriga importantes exposições, como as que realizou com as obras de Rodin e de Miró.

O museu tem um perfil muito definido da arte brasileira do século XIX até a contemporânea. Seu acervo tem cerca de 4 mil peças.

*Com informações da Agência Brasil

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