Planilha com supostas propinas fundamenta prisão

Pagamentos para a campanha do João à Presidência, despesas da empresa, despesas da campanha de Letícia, além de uma contribuição para que um dos nossos companheiros não fosse indiciado criminalmente, são os itens que constam da planilha apreendida na casa de Daniel Dantas, controlador do Opportunity, no Rio. Ela é tida como uma das principais provas reunidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal na ação que acabou levando Dantas de volta à cadeia, na tarde de ontem.

Agência Estado |

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    AE
    Daniel Dantas volta à prisão
    Daniel Dantas volta à prisão
    Por sua importância, chegou a ser citada na íntegra no pedido de prisão preventiva, assinado na quarta-feira pelos delegados Victor Hugo Alves Ferreira e Karina Murakami Souza.

    As contribuições para a "campanha de João à presidência" são duas. A primeira, no valor de 3 milhões, tem a data de 10 de fevereiro de 2004. A segunda, de 2,5 milhões teria sido feita no dia 1º de março do mesmo ano.

    O documento não indica se os pagamentos foram em reais ou em dólares. Sabe-se apenas que a primeira parcela foi feita em dinheiro, enquanto a segunda chegou ao destinatário na forma de faturas. Os intermediários dos pagamentos, chamados de "interlocutores" no documento, são identificados apenas como Rubens e Dudu.

    Os agentes federais e a Procuradoria da República querem saber agora quem são o João que faz "campanha à Presidência" e os intermediários.

    Uma das contribuições que mais intrigam os agentes policiais envolve 25 milhões - registrados como "despesas de campanha de Letícia". Desse total, segundo as anotações, 13 milhões foram pagos em faturas e 12 milhões depositados.

    Mais uma vez Dudu aparece como emissário, agora acompanhado por outros dois nomes: Eduardo e Pedro. Esse mesmo Pedro também teria pago 1,5 milhão para que "um dos nossos companheiros não fosse indiciado criminalmente".

    No pedido de prisão encaminhado à Justiça federal, os dois delegados da PF afirmam que essa parte do documento chama a atenção por dois motivos. Em primeiro lugar, pelo registro de que o pagamento de foi feito em dinheiro - ou seja, da mesma forma com que Dantas teria tentado corromper o delegado Rodrigues Alves, por meio de seus emissários Hugo Chicaroni e Humberto José da Rocha Braz.

    Eles procuraram o delegado com o intuito de obter informações sigilosas do inquérito da PF, além de conseguir que o banqueiro, sua irmã Verônica Dantas e o filho do controlador do Opportunity fossem excluídos da investigação.

    O segundo ponto realçado pela PF é o registro do "interlocutor, isto é, das pessoas que intermediaram os acertos.

    O pedido de prisão também inclui o registro de um outro documento apreendido na casa de casa de Dantas, com o intuito de "ilustrar as estratégias da quadrilha para procurar intimidar a Justiça nas decisões a serem tomadas envolvendo seus membros". Numa folha manuscrita, com timbre do hotel The Waldorf Astoria, em Nova York, lê-se: "Usar assunto da Polícia para produzir notícia e influenciar na Justiça".

    Na avaliação da PF, isso "confirma a produção de factóides pela quadrilha com vistas a manipular a imprensa, a fim de gerar notícias favoráveis à organização criminosa, tudo para abastecer com argumentos as inumeráveis manobras jurídicas de seus advogados".

    Os dois delegados lembram ainda em sua representação que, "no curso da investigação, comprovou-se que Daniel Valente Dantas manteve pessoalmente e por meio de outras pessoas de sua organização contatos com vários jornalistas, ocasiões nas quais são discutidos o teor de matérias a serem publicadas na imprensa".

    O material apreendido, o depoimento de Chicaroni e as escutas provariam, segundo os delegados, que "os pagamentos de propina são prática habitual da organização criminosa e de que Dantas tinha plena consciência disso".


    Em vídeo, Pitta e Nahas deixam a prisão


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