Planalto deve usar maioria na CPI da Petrobras para blindar Dilma

O Planalto vai usar a maioria que tem na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras para derrubar requerimentos de convocação de autoridades considerados ¿inconvenientes¿. O objetivo é blindar o governo e impedir respingos na direção da provável candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), à Presidência, em 2010.

Redação com Agência Estado |

Em conversas reservadas, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que o Planalto não deixará a CPI se transformar em palanque para a oposição na temporada pré-eleitoral.

Na disputa política com tucanos e democratas, segundo os auxiliares do presidente, Lula tentará colar nos adversários o carimbo do impatriotismo. Em uma espécie de reedição da campanha o petróleo é nosso, que marcou os anos 50, o presidente voltará a falar do novo modelo de exploração na recém-descoberta camada de pré-sal.

Essa CPI vai ser um tiro no pé para o PSDB, disse um interlocutor do presidente. Numa tática combinada, o PT baterá na tecla de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) já teria tentado privatizar a Petrobras.

Entenda a CPI

A CPI criada para investigar irregularidades na Petrobras contou com o apoio de 30 senadores, três a mais que o número mínimo necessário para a criação de uma Comissão de Inquérito. O autor do pedido é o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Em seu requerimento, Álvaro destaca os seguintes pontos a serem investigados:

  • Indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo apontados pela operação Águas Profundas da Polícia Federal;
  • Graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontados pelo Tribunal de Contas da União;
  • Indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União;
  • Denúncias de desvios de dinheiro dos royalties do petróleo, apontados pela operação Royalties, da Polícia Federal;
  • Denúncias de fraudes do Ministério Público Federal envolvendo pagamentos, acordos e indenizações feitos pela ANP a usineiros;
  • Denúncias de uso de artifícios contábeis que resultaram em redução do recolhimento de impostos e contribuições no valor de R$ 4,3 bilhões;
  • Denúncias de irregularidades no uso de verbas de patrocínio da estatal.


A CPI vai ter 180 dias para realizar seus trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período. 

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