Quase 100 bombeiros de seis quartéis do Rio estão trabalhando nos escombros do deslizamento no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no Centro ¿ uma das áreas mais afetadas pelas chuvas da semana na cidade. Moradores da favela ajudam o trabalho de resgate dos corpos. Um deles é o pintor Vander Ribeiro, 32 anos. De bermuda e galocha cheias de lama, ele está ajudando as buscas desde que o trabalho dos bombeiros começou na terça-feira, dia 6. Ele passou o seu aniversário de 32 anos, na terça-feira, ajudando a resgatar sete familiares soterrados pelo deslizamento de terra causado pela chuva.


Arte iG

Ele perdeu a irmã, Maria Imaculada Ribeiro, 36 anos, na tragédia. Além dela, outros sete familiares que estavam na casa de Maria Imaculada estão desaparecidos. Sua cunhada, Alcione Ribeiro, 28 anos, quatro filhos dela (Uéslei, 2 anos;  David, 4 anos; Uálisson, 6 anos; e Anderson, 10 anos) e dois de Maria Imaculada (Talita, 20 anos; e Romerito, 21 anos).

Segundo ele, as pessoas que estão presas nos escombro são da Igreja Universal do Reino de Deus. Eu moro perto e estava em casa. Só ouvi um barulho que parecia um avião pousando. Ele diz não saber de onde tira forças para conseguir trabalhar. Não sei, vem de algum lugar. É muito difícil. Todos estavam começando a vida. Ontem foi meu aniversário e ainda estou tentando entender porque isso aconteceu logo nesta data. A última vez que falei com eles foi no domingo. Perguntaram se teria festa e o que eu ia fazer no meu aniversário, lamentou.

AFP
Carro fica completamente soterrado no Morro dos Prazeres após tempestade


Na manhã de quarta foram resgatados os corpos de Marcos Vinícius, 8 anos; Ana Lúcia da Silva, 30 anos (tia de Marcos); Sheila Monteiro de Souza, 21 anos.

Os bombeiros também encontraram, mas ainda não tinham conseguido resgatar, os corpos de Carlos Moura, 52 anos, e Daniel Moura, 13 anos. Entre os desaparecidos estão o bebê de Sheila, de 7 meses, e dois irmãos de Sheila, Gabriel, de 15 anos, e Leonardo, de 13 anos.

Dificuldades do resgate

O coronel Magnelli, do Corpo de Bombeiros, carrega na farda a inscrição salvamento nas alturas. Participando das buscas por desaparecidos, ele afirmou que o maior desafio é saber onde estão os corpos, além de lidar com a instabilidade do terreno.

Como há chance de encontrarmos sobreviventes e o terreno está muito instável, o trabalho é lento e cuidadoso. Na madrugada de ontem (terça para quarta), uma casa caiu enquanto estávamos trabalhando e tivemos de parar, choveu à noite. A maior dificuldade é saber onde os corpos estão para chegarmos até eles, afirmou.

Vicente Seda
O coronel Magnelli, que participa das operações no Morro dos Prazeres


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