Pimentel admite abandonar disputa ao governo de MG por campanha de Dilma

O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, um dos pré-candidatos do PT ao governo de Minas Gerais, admite abandonar a disputa para ocupar um cargo na coordenação da campanha da ministra Dilma Rousseff, de quem é amigo pessoal desde os tempos da militância clandestina, na década de 60. Pimentel, responsável pela aproximação do PT com o PSDB em Minas, também admite que em nome da aliança nacional com o PMDB possa abrir mão em favor do ministro das Comunicações, Helio Costa, que também está na disputa. Em entrevista ao iG na manhã de quinta-feira, em seu escritório político na capital mineira, Pimentel considerou inoportuna a realização de uma prévia para escolher o candidato petista.

Ricardo Galhardo, enviado a Belo Horizonte |


iG:
O senhor vê alguma saída que não seja a realização de uma prévia para a disputa interna no PT de Minas Gerais?

Fernando Pimentel: Acho que a gente sempre deve buscar uma saída negociada porque a prévia é um processo muito desgastante para o partido. As experiências do PT com prévias não são muito boas e por isso vamos tentar evitar. Neste momento o ministro Patrus ainda não concorda com isso. Ele está muito decidido a disputar uma prévia. Mas eu acho que a gente pode continuar tentando. Temos janeiro inteiro. Este assunto nós temos que tentar resolver até o início do nosso Congresso Nacional do PT, que é 18 de fevereiro. Então temos tempo até lá para fazer essas conversas que estão sendo feitas com aliados do ministro. É totalmente inoportuna a ideia de prévia. Temos que acordar internamente e partir para construir um acordo externo.Neste momento só quem defende a prévia é um grupo cada vez mais reduzido em torno do ministro Patrus.

iG: Existe a possibilidade de o presidente Lula arbitrar esta disputa?

Fernando Pimentel: Não é do feitio dele mas a possibilidade existe porque Minas é um estado muito importante, nós temos um cenário político em que a nossa possibilidade é muito real, temos três nomes muito bons, muito fortes. Uma aliança entre o PT e o PMDB cria uma força política muito forte e o presidente também acha isso. Há uma possibilidade real de a gente ganhar a eleição. Mas para isso temos que estar minimamente unificados. Se não formos capazes de achar uma solução por aqui não descarto a possibilidade de haver uma interferência ou do presidente ou da direção nacional do PT. Se não conseguirmos encontrar uma solução aqui, aceitemos a que vier de fora.

iG: O senhor aceitaria desistir da disputa pelo governo de Minas para integrar a coordenação da campanha da ministra Dilma?

Fernando Pimentel: Na verdade já estamos trabalhando na pré-campanha da ministra Dilma. Esta alternativa tem que ser vista no conjunto das outras coisas de Minas. Acho que posso ajudar muito a ministra se ficar inteiramente dedicado a isso. Mas será que este é o melhor desenho para a campanha de Minas Gerais e da própria Dilma: Temos que  pensar em uma candidatura em Minas que maximize a possibilidade de trazer votos para ela. Tem que ser pensado mas é uma das hipóteses, sim.

iG: Os dirigentes do PMDB mineiro argumentam que o acordo nacional feito com o PT prevê que o nome com mais chances de vitória seja o candidato de ambos os partidos e como Helio Costa é líder nas pesquisas uma candidatura própria do PT significaria a quebra do acordo. O senhor abriria mão em favor do PMDB para manter o acordo nacional?

Fernando Pimentel: A gente tem que dialogar sempre mas temos duas observações importantes. Primeiro que o acordo nacional não está feito ainda. Temos uma sinalização importante mas acordo seria o PMDB aprovar a coligação em uma convenção nacional. Quero crer que vamos ter mas até lá vamos trabalhar para isso. O pré-acordo de fato inclui essa ideia de que o melhor colocado seja o candidato e eu não descarto essa hipótese. O problema é que temos que definir critérios para decidir quem está melhor colocado porque pesquisa é só mais um instrumento, importante. Mas em tese está correto. Temos que dialogar e aquele que estiver melhor, levando em conta uma série de fatores, deve ser o candidato. Não descarto de maneira nenhuma essa hipótese ainda que o PT, que tem a aspiração legítima de ter candidato próprio, tenha que reconhecer lá na frente que não tem jeito e que o melhor para nós todos seja uma candidatura de outro partido. Podemos chegar a isso, sim.

iG: O PT-MG pretende "mineirizar" a ministra Dilma, que nasceu em Minas mas construiu a carreira política no Rio Grande do Sul?

Fernando Pimentel: Mineira ela já é, mineiríssima. A campanha vai mostrar isso na medida em que contar a história de vida dela. Ela é de família tradicional, a mãe é de Uberaba, tem família aqui, tem casa aqui, viveu em Belo Horizonte até os 22 anos. Isso vai facilitar muito a adesão de Minas à candidatura dela. Porque Minas construiu essa ideia de que haveria um mineiro disputando a presidência. O Aécio nos ajudou indiretamente nisso, construiu na cabeça do eleitorado mineiro essa ideia. Como ele não vai ser candidato é a Dilma que vai levar a aspiração do povo de Minas de chegar até o Palácio do Planalto.

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