Pimenta Neves comandou jornais e foi correspondente nos EUA

Condenado a 15 anos de prisão, jornalista quase não sai de casa e começa dar sinais de fadiga financeira

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

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Pimenta Neves antes da morte de Sandra Gomide (Foto: Agência O Globo)
Aos 72 anos, Antonio Marcos Pimenta Neves leva uma vida confortável e tranquila, considerando o fato de que é um homem condenado a 15 anos de prisão por assassinato. Mas muito diferente dos áureos tempos em que comandou alguns dos principais jornais brasileiros e foi correspondente nos EUA.

No último mês o iG foi quatro vezes até a casa dele na Chácara Santo Antonio. O jornalista nem sequer abriu a porta. Em duas oportunidades o vigia da rua alertou que Pimenta não atende ninguém, principalmente repórteres.

De acordo com vizinhos e pessoas que frequentam a região, ele raramente é visto por ali e nas poucas vezes que deixa o casarão de 900 m2 – bloqueado pela Justiça como garantia de uma ação indenizatória movido por João Gomide, pai de Sandra Gomide - sai de carro.

“Às vezes parece que a casa está abandonada. Passam semanas sem que ninguém abra uma fresta da janela. O único sinal de vida são os latidos do cachorro”, disse uma vizinha.

Conhecidos que na época do crime chegaram a postar textos de apoio em uma página na internet, evitam falar sobre Pimenta. Mas é certo que desde o assassinato de Sandra ele tem evitado atividades sociais. Às vezes vai a jantares e almoços na casa de amigos, quase nunca recebe alguém em casa. Além da cadela Channel, suas principais companhias são as filhas que moram nos EUA, com quem conversa diariamente pela internet.

O jornalista, que chegou a ocupar uma das diretorias do Banco Mundial, em Washington, e que há 10 anos chegou a propor arcar sozinho com as despesas de uma reforma na cela que ocupava no 77º Distrito Policial de São Paulo, começa a dar sinais de fadiga financeira.

Depois de anos tendo ao seu lado advogados de renome como Antonio Claudio Mariz de Oliveira e os irmãos Ilana e Carlos Frederico Muller, Pimenta hoje é defendido por José Alves Brito Filho.

Brito é mais conhecido por ter sido preso sob acusação de integrar uma quadrilha especializada em roubar inquéritos policiais do que pelos seus feitos nos tribunais. Os dois ocuparam a mesma cela no 77º DP entre 2000 e 2001. O outro ocupante ilustre do cárcere era o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto. Antes de fechar com Brito, Pimenta procurou outros advogados e reclamou dos preços cobrados.

Ele não trabalha desde o assassinato de Sandra. No recurso contra a sentença da Justiça de São Paulo que o condenou a pagar R$ 166 mil de indenização à família da vítima, alegou ter como única fonte de renda uma aposentadoria de R$ 2 mil. Os advogados do pai de Sandra, João Gomide, acreditam que ele tenha outros rendimentos.

Em 2007 a Ordem dos Advogados do Brasil recusou o pedido de Pimenta para ter o registro profissional, que possibilitaria advogar. Ele se formou em Direito 30 anos atrás, quando o exame da OAB ainda não era exigido, mas a ordem alegou que ele não tem idoneidade moral.

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