Piloto de helicóptero derrubado em confronto no Rio relembra momentos de tensão

RIO DE JANEIRO - O capitão da Polícia Militar Marcelo Vaz de Souza, piloto do helicóptero que foi derrubado no último sábado durante um confronto com traficantes no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, lembrou nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, os momentos de tensão que passou.

Redação com Agência Estado |

Sentimos os impactos [dos tiros] na aeronave. Não foi só um, foram vários [...] a tripulação gritando que tinha fogo, que tinha sido alvejada. Eu procurei naquele momento me abstrair, porque eu tinha que levar aquela máquina para o pouso.

Futura Press

Helicóptero fez pouso forçado em campo de futebol após ser atingido por tiros

A aeronave, parcialmente blindada, foi atingida por tiros quando dava apoio a uma operação policial. O piloto ainda tentou fazer um pouso forçado, mas o helicóptero pegou fogo ao tocar o chão.

Eu pensei em levar a máquina para um local seguro. O piloto é toda hora um tomador de decisões. A condição meteorológica muda, é um vento que muda, e no meu caso eu estava em pane.

O pouso forçado foi feito no campo de futebol da Vila Olímpica do Sampaio. O piloto disse que fez o procedimento de emergência porque ficou sem motor.

A queda deixou três policiais mortos. Morreram na hora os soldados Marcos Macedo e Edinei Canavarro de Oliveira. Na última segunda-feira, faleceu também o cabo Iso Gomes Patrício. Além de Souza, ficaram feridos o co-piloto Marcelo Mendes e o policial Anderson dos Santos.

Novas operações

Três pessoas ficaram feridas em uma operação realizada pela PM nesta sexta-feira na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio. As vítimas foram encaminhadas para o Hospital Estadual Getúlio Vargas.

Segundo a unidade, Expedito José Rodrigues, de 57 anos, foi atingido por um tiro de raspão na perna direita e já foi liberado. O ex-combatente do Exército Brunio de Barros, 86, deu entrada no hospital com um tiro de raspão, mas está lúcido. Severino Marcelino dos Santos, 51, recebeu um tiro na face e está sendo atendido.

AE

O ex-combatente Brunio de Barros é atendido após ser baleado na Vila Cruzeiro

Por causa do intenso tiroteio na Vila Cruzeiro, uma bala perdida atingiu e provocou um incêndio num apartamento localizado na região. Equipes do Corpo de Bombeiros foram ao local apagar as chamas no imóvel.

Soldados do 16º BPM (Olaria) ocupam a Vila Cruzeiro nesta sexta-feira a procura de armas, drogas e do traficante Fabiano Atanázio, o "FB". Ele é acusado de liderar a invasão ao Morro dos Macacos, no último sábado. A PM também realiza operações em Manguinhos, na Favela do Jacaré e no Morro do Juramento.

Prontidão

Cerca de 4 mil policiais estão de prontidão em pontos considerados críticos na zona norte do Rio desde os conflitos iniciados na madrugada de sábado no Morro dos Macacos. De acordo com a Polícia Militar, a guerra pelo controle do tráfico de drogas já deixou ao menos 33 mortos.  

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