Piercing pode trazer risco à saúde

Pouca gente sabe, mas 15% dos jovens que utilizam o piercing em alguma parte do corpo procuram um serviço de saúde porque não agüentam a dor, o inchaço ou a febre em razão do uso do adereço. Um número equivalente relata complicações, mas não procura ajuda.

Agência Estado |

Inflamação, sangramentos e infecção constituem os problemas mais comuns. Cerca de 1% dos usuários precisam ficar internados para tratamento.

Os dados são de uma pesquisa publicada no British Medical Journal em junho. Foram entrevistados 1.049 ingleses que usam ou já usaram piercing. Não há levantamentos semelhantes no Brasil, mas a pediatra Geni Worcman Beznos, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, acredita que os dados no País são parecidos. Ela costuma perguntar aos adolescentes que entram no seu consultório: "Por que você usa esse piercing?" Quase sempre, eles desconhecem os riscos.

A região do corpo onde ocorre a maior parte das complicações é a língua. Segundo o estudo britânico, cerca de 50% das perfurações no local trazem algum inconveniente. Em 24% dos casos, o episódio termina em um consultório médico. "A língua é um local com muitos vasos sanguíneos”, explica Geni. "Por isso, defende-se bem de infecções, apesar de inchar bastante." Mas, se uma colônia de bactérias vence a resistência do organismo e entra na corrente sanguínea, pode causar complicações sérias como a endocardite bacteriana, uma infecção do tecido cardíaco.

O risco motivou a criação, em São Paulo, da Lei Estadual nº 9.828, de 1997, que proíbe a colocação de piercings em menores, mesmo com a autorização dos pais. Mas é fácil encontrar lugares que realizam o procedimento em adolescentes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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