Um dos pichadores da estátua do Cristo Redentor, o pintor de paredes Paulo Souza dos Santos, foi indiciado hoje por crime ambiental e injúria por preconceito, mas vai responder ao inquérito em liberdade. Santos se apresentou pela manhã na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), na zona norte do Rio de Janeiro, onde prestou depoimento por cerca de três horas.

O pintor reafirmou que quis fazer apenas um protesto para lembrar pessoas desaparecidas e pediu desculpas à população.

"Não imaginei que o caso causaria essa repercussão toda. A minha ideia era só fazer um protesto. Sou católico e não tenho preconceito com outras religiões", afirmou Santos, ao lado do pastor Marcos Pereira, da igreja evangélica Assembleia de Deus dos Últimos Dias (Adud), que articulou a apresentação do suspeito à polícia. "Peço perdão a toda a população do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo."

Apesar da declaração do pintor de que não teve a intenção de desrespeitar a imagem do Cristo Redentor, a delegada-titular da DPMA, Juliana Emerique, informou que o crime de injúria também fará parte do inquérito. "Ele alegou que realmente não foi nenhum ato discriminatório a qualquer tipo de religião, mas vai responder pelos dois delitos."

A pena para o crime de injúria por discriminação é de um a três anos de reclusão e multa. Para pichação em monumento tombado, que caracteriza crime ambiental, a pena é de seis meses a um ano de prisão, além de multa. Porém, a delegada acredita que Santos, de 28 anos, deve prestar serviços comunitários pelo segundo delito.

Santos foi identificado por investigadores da DPMA e da 9ª DP (Catete) pela assinatura "Aids", feita ao lado das frases de protesto pichadas na estátua do Cristo no dia 14. A polícia espera ouvir, na segunda-feira, o depoimento de outro suspeito, Edmar Batista de Carvalho, amigo de Santos e identificado pela assinatura "Zabo". Ele também teria entrado em contato com o pastor Marcos Pereira para se apresentar espontaneamente.

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