Piauí é o 3° maior causador de mortes por raios no Brasil

TERESINA - Um raio caiu nesta quarta-feira em Esperantina e atingiu o membro do Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente Antônio Carlos Brito de Queiroz, 25 anos, que morreu na hora. Antônio Carlos estava pescando com parente na hora do acidente.

Agência Nordeste |

No ano de 2008, oito pessoas morreram devido a descargas elétricas, de acordo com o jornal "Meio Norte". O número assusta não só pela fatalidade, mas porque diante desse quadro, o Estado ganha um espaço incômodo no cenário nacional: mais de 10% das mortes causadas por raios em todo o País.

Segundo um levantamento feito pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o ano passado teve o maior número de mortes causadas por raios nos últimos dez anos. Foram 75 mortes no total, número recorde segundo o levantamento.

O Piauí ainda não lidera o número de incidências, mas permanece entre os primeiros. Mainar Medeiros, meteorologista da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMAR), afirma que o Estado se encontra na terceira posição em incidência de raios no mundo.

Só agora em Janeiro, as descargas elétricas no Piauí aumentaram em mais de 10%. Esse, por exemplo, foi um dos meses com maior número de raios. Por isso todo cuidado é pouco principalmente nesse período do ano quando as chuvas estão acontecendo, alerta o especialista.

Uma preocupação que por si só já se justifica. Teresina está localizada demograficamente em um ponto conhecido como a Chapada do Corisco, justamente pela alta incidência de raios. O relâmpago ou corisco é talvez a mais violenta manifestação da natureza.

João Veloso, capitão do Corpo de Bombeiros, revela que em uma fração de segundos, um raio pode produzir uma carga de energia cujos parâmetros chegam a atingir valores tão altos quanto 125 milhões de volts, 200 mil ampères ou 25 mil graus centígrados.

Embora nem sempre sejam alcançados tais valores, mesmo um raio menos potente ainda tem energia suficiente para matar, ferir, incendiar, quebrar estruturas, derrubar árvores e abrir buracos ou valas no chão, alertou João afirmando que em Teresina incidem uma média de 140 raios por km² anualmente. (M.P)

Em relação a essa alta incidência de raios recentemente, o coordenador do grupo que realizou o levantamento nacionalmente, Osmar Pinto, esclareceu que o alto número de raios se deve ao resfriamento das águas do Oceano Pacífico, fenômeno conhecido como La Niña, que altera a formação de tempestades no País.

Osmar lembra que, por esse motivo, sempre haverá grande incidência de raios e que é preciso ter cuidado redobrado nesse período. O estudo mostrou também que a probabilidade de ser atingido por um raio é maior do que a de ganhar na loteria.

A chance de ser atingido por um raio no Brasil é 20 vezes maior do que a chance de acertar na loteria com um palpite simples, afirma o pesquisador.

O estudo indica que a maior ocorrência de mortes se dá a céu aberto, na zona rural e com homens adultos. O pesquisador explica que para evitar fatalidades com raios, o ideal é procurar abrigo em uma casa ou um carro e ficar longe de materiais metálicos.

É preciso se afastar de árvores isoladas, de objetos metálicos como uma torre, um trator, uma cerca de arame farpado, jogar para longe uma faca, uma pá, um caniço de pesca metálica, se agachar e esperar a tempestade passar, explica Osmar Pinto.

O pesquisador ressalta que metade das mortes ocorridas poderia ter sido evitada se as pessoas tivessem conhecimento de como agir em situações de tempestade com raios. Nos centros urbanos, ele lembra que é preciso evitar falar em telefones com fios, mesmo o celular ligado ao carregador. É aconselhável também desligar os aparelhos elétricos da tomada e evitar ficar em contato com objetos metálicos durante a tempestade.

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