A Polícia Federal vai investigar se houve irregularidades na campanha do PSDB ao governo do Rio Grande do Sul em 2006. A apuração foi pedida pelo Ministério Público Eleitoral que quer saber se as denúncias feitas pela cúpula do PSOL em 16 de fevereiro são verdadeiras.

Naquele dia, a deputada federal Luciana Genro e o vereador de Porto Alegre Pedro Ruas disseram que pessoas do partido viram gravações que comprovariam entrega de recursos sem registro a integrantes da equipe de campanha dos tucanos, negociação de valores "por fora", por intermediários, na aquisição de um imóvel pela então candidata eleita Yeda Crusius e pagamento de contas pessoais da governadora por empresas de publicidade.

No ofício que encaminhou hoje à superintendência regional da PF, o procurador Victor Hugo Gomes da Cunha pediu que o órgão entre em contato com os denunciantes para saber se existem provas. Se a resposta for positiva, o material deve ser requisitado para perícia e, em caso de autenticidade, o passo seguinte será a instauração de um inquérito para apurar responsabilidades. Segundo os líderes do PSOL, as provas estão no processo contra os 33 réus da Operação Rodin.

O Ministério Público Federal nega, no entanto, que o partido tenha tido acesso aos autos. O superintendente da Polícia Federal, Ildo Gasparetto, disse que se os documentos existirem vão levar o órgão a novas investigações complementares às da Operação Rodin, que apontou desvios de R$ 44 milhões do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) na Operação Rodin. O secretário da Transparência Carlos Otaviano Brenner de Moraes afirmou que o governo do Estado considera normal que o Ministério Público Eleitoral, fiscal da lei, e a Polícia Federal, a quem cabe a apuração de irregularidades eleitorais, investiguem o caso.

A governadora Yeda Crusius (PSDB) não falou sobre o assunto nesta terça-feira. Na Assembleia Legislativa, a bancada do PT não conseguiu que o colégio de líderes aprovasse um pedido formal de acesso às provas que estariam com o Ministério Público Federal. Na reunião de hoje, os representantes do PSDB, PMDB, PP, PPS e PTB bloquearam a tentativa, enquanto os do DEM e do PDT se abstiveram. Somente o próprio PT, o PCdoB e o PSB votaram a favor.

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