O ministro da Justiça, Tarso Genro, informou nesta quinta-feira que a Polícia Federal (PF) trabalha com três hipóteses sobre o suspeito da escuta ilegal do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. A primeira ele chamou de terceirização: Uma articulação política de alguém de dentro de alguma instituição que tenha contratado alguém de origem privada para fazer o grampo.

Outra é de que algum funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) "tenha desviado sua conduta" e feito o grampo. A terceira é que "alguém de alguma agência tenha feito algum contato para fora mediante coação, chantagem para criar alguma crise com alguém ou alguma instituição".

Genro também afirmou que é necessário fazer uma perícia sobre o suposto equipamento usado para o grampo, "para ver se foi comprado para esse fim ou se foi adaptado por alguém de forma ilegal para fazer escuta clandestina".

O ministro citou também que a Abin é originária do antigo Serviço Nacional de Informação (SNI). "Sofreu reforma jurídica, institucional, legal, mas essa transição é lenta", disse. Questionado se a agência carrega um resquício do SNI, Genro respondeu que "se confirmar o grampo, é bem provável".

Monitoramento no STF

A Polícia Federal (PF) acredita ser mais provável a existência de monitoramento sobre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, do que um grampo nos telefones fixos do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Após a divulgação de diálogo entre os dois, comprovando uma escuta clandestina, delegados da PF que apuram o caso estiveram com o parlamentar na manhã desta quinta-feira e lhe passaram tal impressão.

Pelas circunstâncias do telefonema, não previsto, e como teve evidência de que o ministro Gilmar foi grampeado outras vezes, é mais provável que ele estivesse sendo monitorado. Essa foi a impressão que me passaram [os delegados], disse.

Demóstenes citou trechos de seu depoimento aos delegados, que lhe disseram ser mais fácil monitorar um telefone móvel como o que Mendes usou na conversa com o senador do que grampear o telefone fixo que é ramal de uma central PABX.

Durante o depoimento de Demóstenes, técnicos da Polícia Federal fizeram uma busca por grampos nos telefones do senador e também foram até a central telefônica do Senado para investigar a existência de escutas clandestinas. O resultado das buscas não foi divulgado. A Polícia do Senado já havia realizado uma perícia nos telefones do senador. Nada foi encontrado.

A expectativa é que a PF leve de trinta a sessenta dias para concluir suas investigações. Até o momento, a suspeita número um da PF é que agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) desviados de sua função foram os responsáveis pelo grampo.

Demóstenes fala sobre grampo

Demóstenes também acredita que um dos servidores da Abin, desviado de sua funções, foi o responsável pela escuta. O foco principal, pelo que percebi, é a possibilidade inicial de que algum espião desviado de sua função na Abin tenha feito o grampo, declarou o senador.

Apesar disso, Demóstenes destacou que os delegados também trabalham com a hipótese do grampo ter sido feito por terceiros, mas esta não é a linha principal de atuação.

CPI

O senador Demóstenes Torres, que recebeu o convite para depor na CPI dos Grampos, na Câmara dos Deputados, disse que só irá até a comissão no caso do ministro Gilmar Mendes fazer o mesmo. Questionado se tal posicionamento já teria sido combinado com o presidente do Supremo, Demóstenes disse que não.

*(Com reportagem de Sarah Barros, Último Segundo/Santafé Idéias)

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