PF prende políticos acusados de crime ambiental no PR

A Polícia Federal em Paranaguá (Paraná) cumpriu, até a tarde de hoje, 15 dos 19 mandados de prisão expedidos contra acusados de extrair palmito de forma ilegal do Parque Nacional Saint Hilaire e de outras áreas de proteção ambiental de Guaraqueçaba e Guaratuba. Entre os presos estão o ex-prefeito de Guaratuba, José Ananias dos Santos, o procurador-geral do município, Jean Colbert Dias, e o chefe da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), Mordecai Magalhães de Oliveira.

Agência Estado |

Além deles, também foram presos um sargento da Força Verde, unidade da Polícia Militar para proteção ambiental, e um fiscal do Instituto Ambiental do Paraná, além de proprietários de sítios onde há palmito e funcionários de Santos. Entre os procuradores, estava o vice-prefeito da cidade, José Ananias dos Santos Júnior. Segundo a PF, as investigações começaram no início deste ano, logo após ter sido preso uma pessoa por extração ilegal do palmito juçara, espécie ameaçada. As apurações mostraram que a exploração e revenda ilegais eram sistemáticas.

O delegado-chefe da PF em Paranaguá, Jorge Luís Fayad Nazário, destacou que o esquema era liderado pelo ex-prefeito. Proprietário de uma empresa que vende palmitos legalmente, ele estaria extrapolando ilegalmente o volume de corte e transporte do produto. "Mas dava aparência de legalidade, utilizando várias vezes o mesmo Documento de Autorização de Transporte", disse o delegado. "Parte era legal, mas uma grande parte era ilegal." Alguns produtos eram retirados da área de proteção. O volume ainda está sendo apurado pela polícia, assim como o período em que a atuação ilegal teria começado.

Segundo Nazário, os acusados também exploravam palmitos tanto de sitiantes que estavam autorizados a vender quanto daqueles para os quais não havia autorização. No caso do procurador do município, o delegado acentuou que ele prestava "assessoria jurídica" para o ex-prefeito e também o incitava para que orientasse testemunhas a mudarem o depoimento na PF. "Houve um caso concreto disso", afirmou Nazário. Ainda de acordo com o delegado, o chefe da Ciretran, a pedido do ex-prefeito, que desconfiava estar sendo investigado, forneceu os números de placas reservadas de veículos da PF.

O advogado do chefe da Ciretran, Luiz Otávio Monastier, disse que iria entrar com pedido de relaxamento de prisão na Justiça Federal, e, ao mesmo tempo, preparar um habeas-corpus a ser impetrado no Tribunal Regional Federal em Porto Alegre. Ele adiantou, ainda, que não tinha conhecimento das acusações contra seu cliente. "Vou fazer um requerimento ao delegado da Polícia Federal para ter acesso ao inquérito, se não conseguir vou recorrer à Justiça", disse. Os advogados dos outros acusados não foram encontrados.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG