SÃO PAULO - A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira 22 suspeitos de participar de um suposto esquema ilegal que envolveria empresários da indústria de carne bovina e de laticínios, além de funcionários públicos e fiscais federais.

Entre as empresas investigadas estão, segundo as autoridades, o JBS , maior empresa do setor de carne bovina do mundo, e o frigorífico Margen, que está em processo de recuperação judicial.

Segundo o procurador da República Reginaldo Trindade, que conduziu a investigação pelo Ministério Público Federal, em parceria com a Polícia Federal em Rondônia, as empresas pagavam a servidores públicos e fiscais para obterem a aprovação de projetos, liberação de produtos impróprios para o consumo ou fora de padrão, entre outras irregularidades.

"O envolvimento (das empresas) era de ter seus interesses favorecidos direta ou indiretamente pelos fiscais da Superintendência (Federal de Agricultura)", disse ele à Reuters.

Ele explicou que no JBS em Porto Velho (RO) havia adição de água à carne para aumento de peso, "situação que já ocorria há muito tempo e simplesmente não era fiscalizada. O fiscal simplesmente não adotava as providências".

"O Margen não tinha a mínima condição para exportar produtos para o exterior e mesmo assim continuava exportando", completou ele.

"Cada empresário acertava diretamente com esses fiscais. Havia casos em que o pagamento era feito diretamente ao superintendente substituto e casos em que pagavam diretamente aos fiscais lotados no próprio frigorífico", disse Trindade.

Outras empresas, como laticínios e curtumes, também estão sendo investigadas, mas Trindade afirmou não ser possível dizer quantas porque a investigação está em andamento.

Procurado pela Reuters, o JBS afirmou que está tomando conhecimento do caso e que se posicionará em seguida. O Margen informou que ainda não foi oficialmente comunicado e que não poderia dar uma posição.

O JBS conta com operações, além do Brasil, nos Estados Unidos, Europa, Austrália e Argentina.

O Margen passou por dificuldades financeiras em meio à crise financeira mundial e recorreu a um pedido de recuperação judicial. Várias de suas unidades estão paralisadas no momento.

O Ministério da Agricultura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que apoia a operação e tem interesse que o esquema seja dissolvido. Disse ainda que está colaborando com as investigações.

Segundo a assessoria do MPF, entre os crimes que estariam sendo investigados estão formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa e subtração ou inutilização de documentos públicos.

A operação, batizada de "Abate", cumpriu 15 mandados de prisão preventiva, sete de prisão temporária e 43 de busca e apreensão na sede da Superintendência Federal da Agricultura em Rondônia, na residência de vários investigados e na sede de diversas empresas envolvidas no esquema.

As ações ocorrem em oito Estados e envolvem 250 policiais.

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