PF pode continuar a apreender armas na Raposa Serra do Sol, afirma delegado

BOA VISTA - O delegado da Polícia Federal Fernando Segóvia disse, nesta sexta-feira, que agentes da corporação podem continuar a apreender armas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, mesmo depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter negado pedido para a expedição de mandado de busca e apreensão de armamentos na reserva. O pedido havia sido protocolado no Supremo pela Advocacia-Geral da União (AGU) na última-terça-feira.

Agência Brasil |

Nós só não podemos entrar nas casas das pessoas para fazer a busca, mas, se encontramos alguém armado, sem ter autorização de porte concedida pela PF, podemos fazer a apreensão, explicou o delegado, que é o coordenador-geral das operações da Polícia Federal na Raposa Serra do Sol.

Segóvia informou que equipes volantes da PF que estão na reserva vão parar carros, identificar pessoas e verificar se estão armadas.

Pedido negado

O ministro do STF Carlos Ayres Britto negou, nesta quinta-feira, pedido da União e da Fundação Nacional do Índio (Funai) para a expedição de mandado de busca e apreensão de armas, munições e explosivos na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

A petição tinha sido juntada ao processo ajuizado pelo governador de Roraima e que resultou na suspensão da Operação Upatakon 3, da Polícia Federal, criada com objetivo de retirar não-índios da área. Entretanto, o ministro entendeu que, pela natureza do pedido, a competência processual seria da Justiça Federal de Roraima.

A União e a Funai queriam que o Supremo autorizasse o ingresso da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança Pública nas fazendas ocupadas pelos não-índios para recolher armas que estivessem na posse dos fazendeiros. .

Ayres Britto ressaltou, entretanto, que o pedido deveria abranger também armas eventualmente utilizadas pelos próprios índios. Mesmo porque é pública e notória a animosidade recíproca, na região, entre índios e não-índios, cada parte ameaçando a outra com a lei da força e não com a força da lei, avaliou.

O ministro também disse ter dúvida sobre o caráter pacífico da ocupação que os índios promoveram na fazenda de Quartiero.

As próprias lideranças envolvidas no litígio ¿ em quem se presume um certo nível de esclarecimento ¿ resolveram fazer justiça por conta própria, sem aguardar o pronunciamento definitivo do Poder Judiciário. Certamente, não é uma atitude que mereça o beneplácito desse mesmo Poder, concluiu.  



    Leia tudo sobre: raposa serra do sol

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG