PF pediu nova prisão do banqueiro Daniel Dantas, diz Protógenes

Mentor da Operação Satiagraha, o delegado da Polícia Federal (PF) Protógenes Queiroz disse hoje que delegado Ricardo Saadi, também da PF, pediu a prisão preventiva do banqueiro Daniel Dantas.

Redação com Agência Estado |

Protógenes elogiou Saadi e afirmou que o posicionamento do delegado não surpreende, uma vez que o segundo relatório da Satiagraha, feito por Saadi, na sua análise, é uma "reprodução" dos dados coletados anteriormente.

"Eu entendo que o trabalho feito por essa equipe que me sucedeu é de uma equipe valorosa e com capacidade técnica acima da média dos policiais federais. O doutor Saadi é um jovem delegado da Polícia Federal que tem dado uma satisfação muito grande à sociedade, que honra o nome da PF, e não foi surpresa que ele se posicionasse dessa forma, até porque todo o posicionamento dele originariamente vem da minha coleta de dados na fase anterior. Então, é a reprodução do que já foi coletado anteriormente. Basta os senhores verem o segundo relatório para confirmar", disse.

Agência Estado
O banqueiro Daniel Dantas
O banqueiro Daniel Dantas, ao fundo, à esquerda

"A maior resposta é o próprio segundo relatório, que espelha o meu relatório. Não só corrobora, como ratifica toda a coleta de dados feita anteriormente, inclusive até colocando ali o tráfico de influência de alguns expoentes dentro do próprio cenário da República", afirmou Protógenes, antes de participar de palestra sobre corrupção na Assembléia Legislativa de São Paulo.

O delegado voltou a chamar o sócio fundador do grupo Opportunity, Daniel Dantas, de "bandido". Protógenes atribui sua saída da investigação à atuação de uma "força" em vários setores do País. "Não dá para identificar essa força, mas o poder está identificado. Há vários colaboradores do bandido Daniel Dantas. Há uma tentativa de produzir provas para o bandido Daniel Dantas por meio de investigações. E isso, durante todo o processo, está sendo revelado."

Partidarização

Protógenes refutou as acusações de que tenha uma postura partidarizada, conforme disse o superintendente da PF, Luiz Fernando Correa. Apesar de ter participado de vários atos promovidos pelo PSOL nas últimas semanas, ele insistiu que os eventos contam com a presença de políticos de outros partidos. Recentemente, o delegado recebeu manifestações de apoio dos senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Romeu Tuma (PTB-SP), Pedro Simon (PMDB-RS) e Wellington Salgado (PMDB-MG). "Não tenho compromisso político partidário com nenhum deles."

O delegado também afastou a possibilidade de seguir carreira política. "Entrar na política seria a última coisa que eu pensaria", disse. Protógenes afirmou que as manifestações de políticos em seu apoio traduzem um sentimento de indignação da sociedade contra a corrupção, "em um nível nacional incontido". "Este servidor não vai se furtar ou obstar a presença de nenhum político."

O delegado disse ainda não se ver como símbolo do combate à corrupção no País. "Eu não me considero símbolo, mas um profissional e um servidor público que exerce suas atribuições e que honra o dinheiro do contribuinte. Quem me paga é o povo brasileiro. Sou funcionário do Departamento de Polícia Federal, mas o dinheiro vem do contribuinte", afirmou.

Protógenes contou não ter se surpreendido ao receber a notícia de seu afastamento das investigações da Operação Satiagraha e do Departamento de Inteligência da PF. "O que foi surpresa foi a exposição da minha família." Segundo ele, essa foi uma das formas de constrangimento e intimidação mais baixas que já viu. "Por vontade familiar, até não voltaria", disse ele, quando questionado sobre seu futuro na PF.

De Sanctis

O delegado elogiou também o juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto Martin de Sanctis, responsável pelo julgamento de Dantas pelo crime de corrupção ativa. "O doutor Fausto é um juiz que tem demonstrado ao longo dos anos ser 'o juiz'. É a melhor frase que eu tenho para dar e conceituar o doutor Fausto. Acredito em sua capacidade técnica. E ele tem uma forte nível de isenção. Acredito que ele vai saber apreciar o que eu coletei, o que o Ministério Público Federal denunciou e o que foi instrumentalizado durante a ação penal. Ele saberá dar uma decisão de muita imparcialidade e isenção."

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