SÃO PAULO - A Polícia Federal (PF) entregou ontem à Justiça o inquérito da Operação X, deflagrada anteontem, que culminou na prisão de quatro pessoas ligadas a um esquema criminoso liderado de dentro do Presídio Federal de Campo Grande por Fernandinho Beira-Mar e Juan Carlos Ramirez Abadía. Mantido sob sigilo absoluto pela Justiça, o documento inclui uma lista com juízes, autoridades da área de segurança e políticos que seriam alvos de seqüestros e extorsões por parte da quadrilha.


Na lista, estaria a família do senador Magno Malta (PR-ES). Por causa disso, ele pediu ontem à PF proteção para a família e solicitou segurança ao presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). No fim da tarde, Malta convocou a imprensa ao Senado para ouvir um ex-presidiário que, segundo ele e o senador Romeu Tuma (PTB-SP), foi um "grande colaborador das CPIs do Narcotráfico e do Roubo de Cargas".

O informante disse que Beira-Mar já teria um plano para seqüestrar uma filha do parlamentar e outras oito pessoas. Informações desencontradas ainda davam conta ontem de que a lista da Operação X teria até 30 nomes. Nada foi confirmado oficialmente. Mas o diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Wilson Damásio, confirmou ontem que o objetivo final dos planos de Abadía e Beira-Mar era mesmo "garantir a fuga do presídio em troca da libertação de autoridades feitas reféns".

Segundo Damásio, o serviço de inteligência do Depen, que funciona dentro do presídio de segurança máxima de Campo Grande (MS), capturou os primeiros indícios do plano tramado pelos traficantes. "Foi então que chamamos a Polícia Federal, que desenvolveu toda a operação de monitoramento dos dois e descobriu o que eles queriam fazer. Nosso Setor de Inteligência trabalhou com a PF no monitoramento especial das visitas de Abadía e Beira-Mar."

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