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PF já sabe caminho percorrido por dossiê

A Polícia Federal fechou a reconstituição do caminho percorrido pelo suposto dossiê dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, desde o momento em que ele foi confeccionado, na Casa Civil da Presidência da República, até o seu vazamento. O delegado Sérgio Menezes, encarregado do inquérito, informou que já sabe qual computador fonte alimentou com dados a planilha contendo os gastos do ex-presidente Fernando Henrique, passada por e-mail pelo ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, ao assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes.

Agência Estado |

Os nomes dos envolvidos não foram revelados pelo delegado porque o inquérito corre em segredo de Justiça. "Posso garantir que o caso está praticamente esclarecido", disse Menezes. Ele explicou que a PF periciou cerca de 15 computadores, 13 deles da Casa Civil, e ouviu dez pessoas que tiveram contato direto com elaboração do dossiê e seu vazamento. Ninguém foi até agora indiciado porque ainda não está definido se os dados do suposto dossiê eram sigilosos e se houve crime na sua manipulação e vazamento.

Amanhã será a vez de Aparecido dar sua versão para os fatos. Seu depoimento é considerado essencial para o esclarecimento total do caso. Seu advogado, Luis Maximiliano Telesca, acertou com o delegado os detalhes do interrogatório ontem à noite e garantiu que ele vai colaborar. "Ele não vai se recusar a responder nenhuma pergunta", afirmou. "Estou seguro de que meu cliente não cometeu nenhum crime", acrescentou.

Vazamento

Os dados apurados pela PF confirmam a tese, já levantada quando da divulgação do laudo do Instituto de Tecnologia da Informação (ITI), que apontam Aparecido como responsável pelo vazamento. A PF comprovou a autoria do vazamento no computador pessoal de André, que foi apreendido e também submetido a perícia. O assessor de Álvaro Dias havia apagado a mensagem de Aparecido do seu computador de trabalho, no gabinete do Senado, mas antes havia feito um espelho no seu micro pessoal.

O objetivo da PF é descobrir quem mandou fazer o suposto dossiê e com que motivação, para estabelecer se houve crime. Nessa hipótese, os autores podem ser indiciados por prevaricação e violação de sigilo funcional. Mas as investigações ainda não permitiram concluir que houve crime na manipulação dos dados, função - em princípio - corriqueira em órgãos públicos como a Casa Civil.

As investigações também reforçam a tese de que a planilha recebida por André transitou pelos computadores dos dois servidores cedidos por Aparecido ao Grupo de Trabalho criado por Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil e braço-direito da ministra Dilma Rousseff. O grupo foi reunido para levantar os gastos da Presidência no período de 1998 a 2003, o que pegou o período de governo de FHC. Indagado sobre essa hipótese, o delegado foi evasivo, alegando sigilo da investigação. "É possível".

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