PF já prendeu 80 pessoas acusadas de falsificação de cheques e cartões de crédito

BRASÍLIA - A Operação Trilha, executada nesta quinta-feira pela Polícia Federal para prender grupos especializados em falsificar cheques, cartões de crédito e em desviar dinheiro de contas bancárias por meio da internet, resultou na prisão de 80 pessoas, até esta tarde. Também foram apreendidos valores em dinheiro, veículos de alto padrão e farta quantidade de material que servirá de prova contra os alvos das investigações. A PF ainda não tem o valor total de dinheiro desviado pelo grupo.

Redação com Agência Brasil |

Parte dos 650 policiais empregados nas buscas continuam trabalhando para cumprir os 139 mandados de prisão expedidos pelo Juiz Federal da 12ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal (DF). Cento e vinte mandados são de prisão preventiva e 19 de prisão temporária. Um dos suspeitos foi preso nos Estados Unidos.

Divulgação
Operação combate quadrilha especializada em crimes bancários

Segundo o superintendente da PF no Distrito Federal, delegado Disney Rosseti, a maioria dos acusados de integrar o esquema tem entre 20 e 30 anos e vem de famílias de classe média. Mais da metade deles é reincidente na prática de crimes cibernéticos. Um dos presos tem mais de 60 passagens pela polícia. Pelo que percebemos durante as investigações, eles cometiam esses crimes apenas para poder esbanjar o dinheiro, afirmou Rosseti.

Investigações

De acordo com o delegado, a PF começou a monitorar os acusados há mais de um ano. No início, o objetivo das investigações era o tráfico de drogas. No entanto, parte dos jovens migraram para a prática de crimes cibernéticos. Para Rosseti, o fato de os riscos serem menores explica a mudança. O delegado afirma que este tipo de crime é uma nova modalidade de assalto a banco, sem os riscos do tradicional roubo. Somente um dos presos desviou mais de R$ 1 milhão em apenas um mês.

Podemos dizer que são 15 grupos criminosos eventualmente atuando de forma interligada. Alguns dos investigados participavam de mais de um grupo, mas não se trata de uma megaorganização criminosa, mas, sim, de 15 organizações sem um grande líder, explicou Rosseti, revelando que mais de 500 pessoas foram investigadas.

O delegado comemorou a prisão de programadores que, segundo ele, criaram os programas usados por hackers para obter dados pessoais de correntistas. Desta vez conseguimos prender quatro ou cinco dos principais programadores. Eles são os principais responsáveis por estas fraudes, pois são eles que preparam e distribuem os programas."

Os programas usados para capturar senhas bancárias de correntistas de bancos públicos e privados eram disseminados por meio de falsas mensagens eletrônicas enviadas pelos investigados em nome de instituições bancárias. Outra tática era a instalação de câmeras em caixas eletrônicos para que os correntistas fossem filmados digitando suas senhas. Enquanto isso, um dispositivo acoplado ao terminal copiava o cartão.

Agência Brasil
O delegado da Polícia Federal Disney Rosseti, durante a entrevista

"Laranjas"

O esquema contava ainda com os laranjas, cidadãos comuns que emprestavam suas contas bancárias ou então aceitavam abrir novas contas em seus nomes. Os acusados transferiam pequenas quantias de dinheiro, em geral, entre R$ 2 e R$ 3 mil, para estas contas, com as quais pagavam compras feitas pela internet e pagas com boletos bancários.

Rosseti informou que a PF já identificou mais de 1,5 mil pessoas que serviram conscientemente de "laranjas" a estas organizações. Todas serão indiciadas pelos crimes de coautoria nos crimes de formação de quadrilha e de furto mediante fraude.

Boa parte desses crimes seria impossível sem a participação destas pessoas, concluiu Rosseti, alertando a população a ter cuidado com mensagens eletrônicas recebidas de estranhos ou que peçam informações sigilosas.


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