PF investiga morte de índia xavante de 16 anos no DF

A Fundação Nacional do Índio (Funai) acionou a Polícia Federal (PF) para esclarecer a morte da índia xavante Jaiya Pewewiio Tfiruipi, de 16 anos. Hoje, o Instituto Médico Legal (IML) de Brasília confirmou que Jaiya foi vítima de empalação.

Agência Estado |

Ela teve os órgãos internos, como estômago e baço, perfurados por um objeto pontiagudo de 40 centímetros. Segundo o delegado responsável pelo caso, Antônio Romeiro, o objeto atravessou os órgãos sexuais de Jaiya, atingindo as outras partes do corpo. A índia xavante morreu na quarta-feira, após duas paradas cardíacas, enquanto era operada no Hospital Universitário de Brasília (HUB).

A violência sexual, informou a polícia, ocorreu enquanto Jaiya estava em tratamento no Centro de Apoio à Saúde Indígena de Gama, cidade-satélite do Distrito Federal. Com dificuldades neurológicas - seqüelas de meningite -, a índia não falava nem andava. Estava no local com a mãe, Carmelita, e a tia Maria Imaculada, há cerca de um mês. Elas vieram da Aldeia São Pedro, em Campinápolis (MT). O corpo de Jaiya foi levado hoje para ser enterrado na aldeia.

Hoje, Romeiro passou a tarde colhendo depoimentos de funcionários que estavam no centro no momento em que a índia foi vítima de violência sexual. "Estamos trabalhando para esclarecer o caso, mas não há suspeitos no momento", disse. Responsável pelo lugar, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) informou, em nota divulgada hoje, que o local tem vigilância 24 horas e que, no dia do crime, 56 pessoas estavam hospedadas lá. A enfermeira chefe da casa, Elenir Coroaia, admitiu a possibilidade de ter ocorrido um ritual entre os xavantes. "Culturalmente, alguns povos não aceitam quem tem problemas. Mas não é possível afirmar que foi ou não isso", disse. Já o delegado responsável pelo caso afirmou, por telefone, não acreditar nesta possibilidade. "O crime foi cometido por alguém que estava na casa", disse.

O presidente da Funai, Márcio Meira, lamentou a morte da jovem indígena e afirmou hoje que todas providências para encontrar os culpados foram tomadas com a Funasa. O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou que a PF entrará no caso e que fará uma investigação rigorosa. "A PF vai investigar, rigorosamente, e, quando estiver pronto o processo, levará ao Ministério Público (MP) e à Justiça para que punição compatível com a barbárie que o crime representa seja dada", disse.

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