PF intima 80 em busca de servidores que fraudaram concurso

Com interrogatórios e análise do material apreendido na Operação Tormenta, PF investiga se há fraudadores trabalhando normalmente

Severino Motta, iG Brasília |

AE
Delegado da PF, Victor Hugo Rodrigues Alves, chefe da Operação Tormenta, e Marcos David Salem, diretor de Inteligência da PF
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Luiz Fernando Corrêa, disse nesta quinta-feira que pelo menos 80 pessoas estão sendo intimadas para prestar depoimento no inquérito da Operação Tormenta, que investiga fraudes em concursos públicos e no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A intenção dos investigadores é descobrir se além dos casos desvendados nesta quarta-feira também existem servidores na ativa que ingressaram no serviço público por meio do esquema fraudulento.

Segundo Corrêa, além dos interrogatórios e possível indiciamento dos envolvidos nos casos de fraude nos concursos da Polícia Federal, OAB e Receita Federal, a Polícia vai analisar o material apreendido ontem, quando a operação Tormenta foi deflagrada. Como a suspeita é que a quadrilha atuava há cerca de 16 anos, existe a possibilidade de se encontrar fraudes em outros concursos públicos.

“Pode ter gente que está trabalhando e só será identificado com a análise do material apreendido (...) A quadrilha deve ter registro [de quem participou do esquema] até mesmo para controle deles”, disse Corrêa pouco antes de uma reunião onde apresentou os resultados da investigação ao presidente da OAB, Ophir Cavalcante.

Investigações

As investigações, segundo a PF, começaram em 2009 durante um concurso para Agente da Polícia. A partir dele, descobriu-se que havia uma quadrilha que conseguia acesso aos cadernos de questões antes da data de aplicação das provas. Além do próprio concurso da PF, o grupo teria acesso privilegiado às provas da 2ª fase do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), realizado neste ano, e do concurso da Receita Federal (Auditor-Fiscal/1994).

A PF afirma que, até o momento, sabe-se que 53 candidatos tiveram acesso à prova de Agente Federal; pelo menos 26 à prova da OAB e, outros 41, ao exame da Receita Federal.

Conforme a polícia, o grupo atuava em diversas frentes e realizava desde o aliciamento de pessoas que tinham acesso ao caderno de questões até o repasse de respostas por ponto eletrônico durante a realização do concurso e a indicação de uma terceira pessoa mais preparada para fazer a prova no lugar do candidato. Além disso, a quadrilha também é suspeita de falsificar diplomas quando o cliente não possuía a formação exigida.

Além dos concursos em que foram comprovadas as fraudes, dois outros (Abin e Anac) também serão investigados pela PF porque foram encontrados indícios de irregularidades praticadas pela quadrilha. A ação é realizada na Grande São Paulo, em Campinas, na Baixada Santista e no Rio de Janeiro.

A Polícia Federal afirma que a ousadia do grupo era tanta que, mesmo após a divulgação do vazamento da prova da OAB, a quadrilha se organizava para fraudar pelo menos outros seis concursos. São eles: Caixa Econômica Federal, Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), da Advocacia Geral da União (AGU), da Santa Casa de Santos, de Defensor Público da União e da Faculdade de Medicina de Ouro Preto.

Todos da quadrilha deverão ser indiciados por formação de quadrilha, quebra de sigilo funcional, estelionato, receptação e falsificação de documentos públicos.

    Leia tudo sobre: PFTormenta

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG