PF fará operação de desarmamento em Roraima, diz Tarso

SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal e a Força Nacional de Segurança farão uma operação de desarmamento na terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, foco de um conflito entre grupos indígenas e produtores rurais, disse nesta quarta-feira o ministro da Justiça, Tarso Genro. Aqueles que estiverem armados ilegalmente serão desarmados, declarou o ministro na tarde de quarta-feira, um dia após visitar o local, segundo comunicado do ministério.

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O ministro afirmou que a operação tentará desarmar não somente fazendeiros, mas qualquer pessoa que transite pela região, 'sejam índios ou não-índios'.

Na última segunda-feira, um grupo de índios que montava barracas na fazenda Depósito, dentro da terra indígena, foi atacado a tiros por seguranças e funcionários. Segundo a PF, nove índios ficaram feridos, sendo oito baleados.

Na terça-feira, a PF prendeu o proprietário da fazenda, Paulo Cesar Quartieiro, que também é prefeito de Pacaraima, seu filho, Renato, e outros dez funcionários. Eles são acusados de formação de quadrilha e porte de armas sem registro, segundo a PF.

Os acusados foram levados por policiais federais a Brasília na tarde desta quarta-feira. Por ter foro privilegiado, Quartieiro será julgado pelo Tribunal Regional Federal de Brasília. O mesmo ocorrerá com os demais por estarem citados no mesmo inquérito, disse a PF.

Cerca de 200 policiais federais e 100 da força nacional permanecem na região da Raposa Serra do Sol.

Os mais recentes conflitos na região começaram em abril, quando a polícia tentou expulsar plantadores de arroz dessa terra indígena. Mas os fazendeiros resistiram à desocupação e bloquearam estradas, explodiram pontes e supostamente contrataram pistoleiros.

Na terça-feira, imagens de TV mostraram homens encapuzados disparando tiros contra os índios e atirando neles uma bomba de fabricação caseira.

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve decidir até o final deste mês se ratifica ou anula a criação da reserva, demarcada em 1998 e ratificada em 2005. Até lá, continua a suspensão da retirada dos não-índios da área, determinada pelo ministro do STF Ayres Britto.

(Texto de Fabio Murakawa)

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