O Primeiro Comando da Capital (PCC) estava loteando a fronteira de Mato Grosso com a Bolívia a fim de assegurar o fluxo contínuo de cocaína para São Paulo. A descoberta foi feita pela Polícia Federal durante a Operação Aracne - investigação iniciada no ano passado e que, na semana passada, levou 41 pessoas para a cadeia sob a acusação de tráfico internacional de drogas.

A estratégia da facção, segundo a PF, era estabelecer contato direto com os cartéis bolivianos para eliminar intermediários e, assim, multiplicar seus lucros.

Os primeiros indícios eram de que integrantes da facção haviam adquirido fazendas em três municípios mato-grossenses: Campo Novo do Parecis, Tangará da Serra e Nova Maringá. Mas a análise preliminar dos documentos e anotações apreendidos em poder da quadrilha revelou um esquema ainda maior. Ao todo, integrantes da organização criminosa mantinham propriedades rurais em dez cidades - cinco nas proximidades da fronteira (Cáceres, Porto Esperidião, Lambari D’Oeste, Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis), duas na região central (Nova Maringá e São José do Rio Claro) e três ao norte (Alta Floresta, Colniza e Aripuanã).

As fazendas tinham três funções básicas: parte delas abrigava pistas clandestinas para receber os aviões vindos da Bolívia, outras serviam de armazém e o restante era usado na lavagem do dinheiro obtido com o narcotráfico. Nessas localidades - cinco das dez identificadas até agora pelos federais -, o PCC investia na criação de gado e no plantio de soja. A agropecuária não tinha finalidade econômica para a facção. Servia apenas para camuflar o esconderijo dos traficantes e ocultar os recursos amealhados pela organização. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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