PF decide manter 500 homens em reserva de Roraima

A Polícia Federal (PF) decidiu manter em Roraima os 500 homens que mobilizou para a operação de retirada dos não-indígenas da terra indígena Raposa Serra do Sol - temporariamente suspensa por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A partir de segunda-feira, eles serão enviados para o interior do território indígena, onde instalarão acampamentos e postos de atendimento policial.

Agência Estado |

"Nossa missão agora não é retirada de ninguém, mas sim garantir a lei e a ordem dentro da reserva", disse o responsável pela Operação Upatakon 3, delegado Fernando Segóvia. "Isso foi determinado pelo Supremo, na mesma decisão em que suspendeu a operação de retirada." A decisão foi vista com desconfiança pelos arrozeiros. Na opinião do principal líder da categoria, João Paulo Quartiero, depois de ter sido derrotado pela Corte, o Ministério da Justiça - ao qual estão vinculadas a PF e a Fundação Nacional do Índio (Funai) - estaria procurando outros meios para sufocar os fazendeiros. "O próximo passo vai ser a aplicação de multas pelo não-cumprimento da legislação ambiental. Vão tentar frear a colheita do arroz, que começa em dez dias", afirmou. "Não conseguiram nos expulsar pela força e agora querem nos sufocar."

Hoje, um helicóptero da PF sobrevoou as fazendas dos rizicultores. Um dos passageiros era o analista ambiental Frederico Fonseca, representante do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Operação Upatakon. Fonseca procurava indícios de desrespeito às leis ambientais, principalmente nas áreas de preservação permanente.

"Por meio de imagens de satélite, temos indicações de supressão indevida da vegetação do lugar e de ocupação de áreas de preservação permanente", disse. Ele também lembrou que Quartiero hoje enfrenta um processo administrativo, iniciado em 2005, por corte não autorizado de vegetação. Na Superintendência da PF no Estado, também circulavam comentários de que os arrozeiros da região também desrespeitam normas sobre o uso da água dos rios. Eles não pagariam nada pela água que usam para irrigar os arrogais.

'Plano'

Para Quartiero, isso também faz parte do "plano de sufocamento" dos arrozeiros: "É uma conspiração. Ninguém paga pela água no Brasil porque essa legislação ainda não pegou. No Estado de Roraima, ela nem foi implantada ainda." Em Boa Vista, num terreno da Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal), os agentes da polícia voltaram a repetir hoje treinamentos de operação antimotim. O uso de bombas em supostos ataques de amotinados tem irritado a população vizinha ao local dos treinos. Com a decisão de enviar os agentes para o interior da reserva, porém, a tranqüilidade dos vizinhos deve voltar.

No interior da reserva, uma das tarefas dos policiais será esclarecer a população sobre o objetivo da Upatakon - expressão da língua macuxi que significa "nossa terra". Segundo Segóvia, os policiais também ajudarão a negociar possíveis conflitos que podem eclodir envolvendo grupo indígenas e não-indígenas.

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