BRASÍLIA - A Polícia Federal deu prazo até às 15h desta segunda-feira, 7, para que os estudantes se posicionem com relação a desocupação da reitoria da Universidade de Brasília, onde estão desde a última quinta-feira. Eles protestam contra a permanência do reitor Timothy Mulholland à frente da instituição. Antes, ao meio-dia, está marcada a assembléia estudantil para decidir sobre os rumos do movimento, e se o prédio da reitoria será ou não desocupado.

Agência Brasil

Estudantes decidem manter ocupação

Desde a última quinta-feira, cerca de 30 estudantes ocupam a área que dá acesso à sala de trabalho do reitor da universidade. Eles alegam que ficarão no local até que o reitor e o vice, Edgar Mamiya, renunciem aos cargos.

Timothy Mulholland está sendo investigado pelo Ministério Público do DF por gastos do montante de R$ 470 mil para a compra de mobiliário de luxo, com verba da Fundação de Empreendimento Científico (Finatec).

Presente à negociação com a PF, o estudante de relações internacionais Tony Gigliotti avaliou o encontro deste domingo como mais pacífico e amistoso dos últimos dias. Ele não soube adiantar se o movimento tende para o encerramento ou para o confronto, mas disse acreditar que até aqui, foi vitorioso.

Até então, não tínhamos demonstrado revolta (pelas denúncias contra o reitor), parecíamos apáticos. Mais cedo ou mais tarde, eles (reitor e o vice) vão renunciar. Eles já perderam o apoio de toda a sociedade, afirmou o aluno.

Na última sexta-feira, a Justiça Federal havia concedido à UnB a reintegração de posse do prédio, estabelecendo multa de R$ 5 mil por cada hora de ocupação ilegal. O advogado Ariel Foina, que se declara advogado dos ocupantes e que participou das negociações dos estudantes com a PF, disse, neste domingo, que vai entrar com um pedido de reconsideração da decisão judicial.

Estamos questionando a multa e a reintegração de posse. A reitoria não perdeu a posse do prédio. Só dois locais estão interditados (ocupados). Nos outros, o reitor suspendeu os trabalhos porque quis, argumenta. A multa nem nos impressiona: é incompatível com a realidade jurídica e fática, emenda.

Estudantes estudam proposta da UnB

No final de semana, a universidade aprovou três pontos da pauta de reivindicação dos alunos, garantindo além do aumento de 20% no auxílio moradia, convocações do Conselho Administrativo para avaliar questões financeiras da instituição e do Conselho Universitário para tratar da paridade nas eleições para reitor. Atualmente, o voto dos estudantes tem peso de apenas 15%; eles reivindicam peso igual ao dos professores e técnicos.

No entanto, segundo o estudante de Ciência Política Raul Cardoso, outro líder do movimento, a proposta não deve ser aprovada pois não atende o ponto de honra dos alunos, que é a saída do reitor. 

Festa com DJ

Além dos quase 30 alunos isolados na parte de cima do prédio da reitoria da universidade ¿onde ficam a sala de reunião e a sala de trabalho do reitor ¿outras dezenas de alunos participam da ocupação na parte de baixo do edifício. Apenas oito alunos ¿ quatro que dialogam com a reitoria, quatro que negociam com a PF ¿ têm passe livre para ir e vir do segundo andar.

Na parte debaixo, há 14 barracas montadas e vários colchonetes espalhados pelo chão. Além dos estudantes, vários professores aparecem na reitoria para apoiar moralmente os alunos.

O clima de manifesto é fortalecido pelo som ambiente ¿ de hora em hora,  músicas de protesto como Pra Não Dizer que Não Falei das  Flores, de Geraldo Vandré, são tocadas num aparelho de som trazido por um dos alunos.

Os ocupantes aproveitam as longas horas para praticar outras atividades como alongamento, ioga e assistir filmes. Até uma oficina de Zouk (dança caribenha) foi organizada. Está marcada para a noite deste domingo uma festa com DJ, prevista para terminar às 6h da manhã.

Pais apóiam

Os pais de Lia e Mônica, ambas estudantes da UnB que ocupam a parte de cima da reitoria, passaram pela universidade, na tarde deste domingo, para ver se as filhas estavam bem. Eles entregaram objetos pessoais ¿ como carregadores de celular, roupas e objetos para higiene íntima ¿ e defenderam o protesto dos estudantes. Sou da geração 68. Esse reitor foi um péssimo exemplo e deve ser retirado do cargo, sim. Estou orgulhoso pela atitude corajosa de minhas filhas, declarou o engenheiro Ruben Fonseca Filho.

Para a mãe das meninas, a também engenheira Beatriz Padilha, só uma coisa não a permite ficar tranquila: o receio de um possível confronto com policiais federais. Tenho medo de violência, e sei que elas são muito valentes; não recuariam, ponderou.

Segundo a negociação da PF, não haverá confrontos com os estudantes, pelo menos até amanhã.  

OAB quer mediar


A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se colocou à disposição dos estudantes e do reitor da UnB para ajudar a encontrar uma solução para o impasse da universidade.

Segundo a assessoria da OAB, neste domingo o presidente nacional da Ordem, Cezar Britto, conversou por telefone com a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Lúcia Stumpf, e com o reitor da UnB, Timothy Mulholland, e se colocou a disposição para mediar a questão.

O presidente da entidade declarou que irá acompanhar a evolução dos fatos e o resultado da assembléia marcada pelos estudantes para esta segunda-feira.

Leia mais sobre: ocupação UnB

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.