PF começa a patrulhar Raposa Serra do Sol-RR

A Polícia Federal (PF) começou hoje a patrulhar a terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Um grupo de 70 homens fortemente armados chegou ao Distrito do Surumu - vilarejo situado na entrada da terra indígena e próximo às áreas controladas por arrozeiros, que se recusam a sair do local.

Agência Estado |

Logo à frente do grupo, iam dez homens do Comando de Operações Táticas (COT) - um dos mais bem treinados da PF para o enfrentamento de situações de risco e de violência.

Usavam capacetes, coletes à prova de bala e escudos, além de portar armamento pesado. Apesar dos receios de alguma reação da parte dos grupos contrários à criação da Raposa Serra do Sol e à retirada dos não-indígenas da área, a chegada da polícia foi tranqüila. Eles chegaram em 20 picapes, que também foram usadas para o transporte de equipamentos e armas. Foram instaladas duas barreiras na estrada de acesso ao Surumu para controlar a passagem para a área indígena.

Hoje, a corporação também instalou barreiras no Passarão, outro vilarejo, às margens do Rio Uraricoera, onde funciona uma balsa que também dá acesso à Raposa Serra do Sol. As duas passagens são importantes para os índios e rizicultores. É por elas que se faz o escoamento da produção de arroz, cuja colheita começa nos próximos dias. Além dos homens da PF, foram mobilizados cem policiais da Força de Segurança Nacional (FSN). Eles foram os primeiros a sair de Boa Vista, ontem, acampando na terra indígena São Marcos, que faz fronteira com a Raposa. Hoje, os federais uniram-se a eles, com uma fila de quase 40 veículos, incluindo um caminhão de combustível, que se deslocou pela Rodovia BR-174.

O objetivo da operação, segundo o coordenador, delegado Fernando Segóvia, é assegurar a segurança e tranqüilidade dos moradores até que a Justiça chegue a uma decisão final sobre a criação da Raposa Serra do Sol - que é analisada no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar das precauções policiais, o risco de conflitos na região não está completamente afastado.

TSE

Por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o arrozeiro Paulo César Quartiero, que liderou dias atrás o movimento de resistência à operação de retirada dos não-indígenas da área, voltou hoje a assumir o cargo de prefeito de Pacaraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela. Quartiero havia sido afastado em março, acusado de corrupção eleitoral.

O primeiro ato administrativo dele, assinado ainda hoje, foi um decreto no qual transfere a sede administrativa do município para Surumu. "Amanhã, já estarei lá para despachar", disse, logo após a retomada da cadeira de prefeito. "Não tenho nada a ver com a chegada a PF. Vou para lá porque existe uma situação de emergência: precisamos consertar as pontes e as estradas para garantir o escoamento da produção de arroz, antes da chegada das chuvas."

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