Investigação da Polícia Federal (PF) identificou entre documentos apreendidos no âmbito da Operação Castores, em 2006, papéis que sugerem o pagamento de propina ao senador Valdir Raupp (PMDB-RO) e Adhemar Palocci, irmão do deputado Antonio Palocci (PT-SP) e diretor da Eletronorte. De acordo com informações da Folha de S.

Paulo, os nomes do senador e do irmão do deputado aparecem, junto a outros personagens, ao lado de uma cifra de aproximadamente R$ 2 milhões. A mesma papelada, apreendida na casa do então assessor parlamentar de Raupp, José Roberto Paquier, registrava, no verso de uma das páginas, o nome da Alstom e da CNO (Construtora Norberto Odebrechet, segundo a polícia).

Segundo a PF, a quadrilha desbaratada pela operação policial era suspeita de pedir propina para assessorar empresas na cobrança de dívidas não-reconhecidas por estatais, como a Eletronorte, Eletrosul e Furnas. Em escutas feitas pela PF, o então assessor de Raupp foi flagrado oferecendo o nome de uma empresa de consultoria à multinacional de equipamentos de hidrelétricas Alstom. O contrato serviria para encobrir uma operação na qual o funcionário do senador atuaria para liberar pagamentos da Eletronorte à Alstom.

O líder do PMDB avalia que o envolvimento de seu nome em uma denúncia de propina envolvendo a Alston, empresa com a qual jamais teve qualquer contato e da qual nunca recebeu qualquer doação de campanha, "está com cara de missa encomendada". Afinal, explica o líder, seu nome jamais foi objeto de investigação da Polícia Federal. "Não há inquérito, não há processo e, que eu saiba, também não houve investigação. Imagino que essa denúncia talvez tenha surgido por conta da disputa de cargos na base aliada ou porque eu fui cotado para a presidência do Senado", analisa o senador, ao observar que não sabe se "é fogo amigo, ou inimigo".

Raupp afirma que há mais de dois anos, quando o único diretor da Eletronorte indicado por ele foi demitido, ele não tem na direção da empresa nenhum afilhado político seu. "Só conheci o presidente da Eletronorte à época (Carlos Nascimento) depois que ele tomou posse". A assessoria de imprensa da Eletronorte afirmou que o diretor da empresa, Adhemar Palocci, não se pronunciaria sobre o assunto. A estatal disse desconhecer a investigação.

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