A Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, aponta para possível envolvimento pessoal do empresário Fernando de Arruda Botelho, um dos sócios do grupo Camargo Corrêa, no suposto esquema de distribuição de dinheiro para partidos políticos apontado pela PF. Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Botelho foi grampeado pela PF discutindo uma aparente confusão com recursos que a empreiteira teria mandado para Brasília.

Nesse diálogo aparece o nome de Paulo Skaf, presidente da Fiesp: “Eu falei com o Paulo Skaf agora e ele falou que não foi feito ainda”, teria afirmado Botelho.

Do outro lado da linha estava Pietro Bianchi, diretor da Camargo Corrêa preso na quarta pela Polícia Federal. Botelho queria saber dele o que havia acontecido com o dinheiro enviado pela empreiteira para Brasília, já que Skaf teria indagado sobre o destino da verba. “Foi passado lá pro pessoal de Brasília... contactaram o menino da Fiesp e eles dividiram”, disse Pietro a Botelho. “Mandaram uma parte pro PSDB, outra pro PS...”. A PF não sabe o que PS significa.

De acordo com pessoas próximas à empresa e à Fiesp, Botelho estaria levantando dinheiro na construtora para distribuir entre políticos e partidos escolhidos por Skaf. Além de contribuir com políticos da confiança da Fiesp, Skaf mantém o projeto de construir uma carreira política própria já nas próximas eleições. Isso explicaria a ausência de menções ao PT nas conversas entre os executivos da empreiteira. Os relatórios da PF citam PPS, PSB, PDT, DEM, PP, PMDB e PSDB, embora a Camargo Corrêa seja grande doadora eleitoral também para o PT. Nos grampos da PF, no entanto, as discussões giravam em torno de recursos que a empresa entregaria a políticos indicados por Skaf - e não escolhidos por ela própria.

O criminalista José Roberto Batochio, advogado de Skaf, reagiu às suspeitas sobre o presidente da Fiesp. “São doações realizadas por empresas filiadas à Fiesp e que contribuem para campanhas de políticos afinados com o ideário da cadeia produtiva. Assim como existe a bancada da saúde, por exemplo, há a bancada da cadeia produtiva. Ninguém pode impedir que as empresas contribuam dentro dos limites legais.” Formalmente, Fernando Botelho está afastado das funções executivas da Camargo Corrêa há cerca de cinco anos. Procurado, Botelho não se manifestou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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