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PF: elite de construtora comandava evasão de divisas

As prisões efetuadas pela Polícia Federal (PF) ao longo do dia pela Operação Castelo de Areia tiveram como ponto de partida o crime de evasão de divisas praticado por integrantes de alto escalão de uma grande empreiteira, disse o delegado regional de combate ao crime organizado da superintendência da corporação em São Paulo, José Alberto Iegas. Os nomes da construtora Camargo Corrêa e dos quatro diretores e das duas secretárias presos não foram citados pelo delegado na entrevista coletiva concedida hoje.

Agência Estado |

"Todos integravam, por serem diretores, a elite da administração da empresa", disse. "Esses diretores, através de empresas offshore, faziam remessas de quantias ao exterior. São várias as remessas duvidosas."

No entanto, Iegas ressaltou não ser possível dizer que o dinheiro remetido ilegalmente era da empreiteira ou dos executivos da empresa. "Existem fortes indícios de que a empresa utilizava-se de empresas offshore e de operações dólar-cabo, por meio de empresas, em princípio laranjas, para remeter remessas ao exterior", disse. "Nós apuramos crimes de pessoas que trabalham na empresa. No momento, é precipitado atribuir qualquer conduta à empresa. O que apuramos foi o crime de pessoas que ocupam altos cargos nessa empresa", afirmou. Segundo ele, a utilização de doleiros, empresas offshore e operação dólar-cabo são indícios de que o dinheiro remetido ou não era lícito ou não era contabilizado.

O delegado não confirmou a suspeita de que o dinheiro movimentado pela quadrilha teria sido obtido por meio de superfaturamento de obras públicas nem se parte dos recursos foi doada de forma ilegal a partidos políticos. "Não é possível fazer nenhum levantamento neste momento. A investigação sempre foi pautada por crime financeiro, notadamente evasão de divisas", afirmou. "Obviamente, trata-se de uma grande empreiteira que atua no setor de obras públicas e privadas. Mas não podemos indicar no momento nenhuma obra que tenha sido superfaturada ou que tenha gerado recursos para esse envio."

Iegas explicou que a Operação Castelo de Areia teve início a partir de documentos apreendidos em outras investigações envolvendo doleiros. Ele não citou quanto a quadrilha teria movimentado no período. "A questão de valores está sob sigilo", respondeu.

Escutas

O delegado não descartou que outros crimes sejam constatados a partir da análise do material apreendido. Segundo ele, documentos, mídias eletrônicas, arquivos de computador, cofres e agendas fazem parte do material que será analisado pela PF. Questionado se escutas telefônicas teriam sido feitas durante a investigação para obter provas, ele respondeu que "todos" os meios que a PF pode utilizar foram usados.

De acordo com a corporação, todos os dez pedidos de prisão foram solicitados pelo Ministério Público Federal (MPF), por meio da procuradora Karen Louise Jeanette Kahn, e decretados pelo juiz da 6ª Vara Criminal Federal, Fausto Martins De Sanctis. De acordo com o delegado, as investigações duraram um ano e foram feitas por uma equipe de cerca de dez policiais federais. Mais de cem agentes cumpriram hoje os mandados de prisão, buscas e apreensão.

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