PF abre inquérito para apurar vazamento de informações da Satiagraha

SÃO PAULO - A Polícia Federal abriu, em São Paulo, inquérito para investigar o vazamento de informações da Operação Satiagraha, deflagrada no último dia 8. A Corregedoria da PF, em Brasília, enviou o delegado Amaro Ferreira à Superintendência Regional da PF em São Paulo para apurar o caso.

Redação com agências |


O inquérito, instaurado nessa quinta-feira, tem prazo de 30 dias para ser concluído, mas poderá ser prorrogado, caso o delegado Ferreira considere necessário. 

O Ministério Público Federal (MPF), que abriu no último dia 18 procedimento administrativo para investigar as queixas do delegado Protógenes Queiroz de que teria sido afastado do comando da operação, continua esperando o envio de informações solicitadas à Polícia Federal.

No procedimento, o procurador da República Roberto Antonio Dassié Diana pediu à PF cópias de  todas as solicitações de material e recursos humanos feitas por Protógenes ao longo da investigação. Dassié Diana também quer cópia do inquérito em andamento na PF para apurar vazamentos.

O MPF pediu ainda a gravação integral da reunião, realizada no último dia 18, que culminou com o afastamento do delegado, e mais uma série de outras informações.De acordo com o Ministério Público Federal, a gravação da reunião já foi enviada  à instituição. As demais informações ainda estão sendo aguardadas.

Coordenador do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público Federal em São Paulo, Dassié Diana disse à Agência Brasil, na última quarta-feira (23), que o procedimento administrativo aberto para apurar as queixas do delegado Protógenes não deverá ser concluído no prazo inicial de 30 dias.

Até pela quantidade de informações que solicitei, imagino que não esteja solucionado em 30 dias, o que implicaria na prorrogação por 90 dias, afirmou Dassié Diana. O procedimento foca a eventual ocorrência de obstrução aos trabalhos do delegado e também o vazamento de informações.

Quando estiver de posse de todo o material, Dassié Diana deverá promover interrogatórios para posteriormente encaminhar a conclusão do trabalho. Há três possibilidades de desfecho para o procedimento instaurado pelo MPF: denúncia criminal, recomendação administrativa à PF, passível de ensejar ação judicial em caso de descumprimento, ou recomendação pelo arquivamento.

STF autoriza Greenhalgh

O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cézar Peluso, decidiu nessa sexta-feira garantir ao  ex-deputado federal e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh acesso aos autos da Operação Satiagraha. Greenhalgh presta serviços ao banqueiro Daniel Dantas.

Peluso estendeu a Greenhalgh os efeitos de uma liminar concedida anteriormente ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI). Tanto o parlamentar como Greenhalgh tiveram os nomes citados em reportagens publicadas na imprensa, com base em conteúdo de interceptações telefônicas feitas pela PF ao longo da operação. O advogado já tinha solicitado, sem sucesso, o acesso ao inquérito por duas vezes na 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

Humberto Braz

Nessa sexta-feira, o presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), ministro Cesar Asfor Rocha, negou um novo pedido de liberdade a Humberto José da Rocha Braz, ex-presidente da Brasil Telecom, considerado braço direito do banqueiro Daniel Dantas, sócio-fundador do Banco Opportunity. Braz, preso pela PF durante a Operação Satiagraha, é acusado de oferecer R$ 1 milhão a um delegado da corporação para que o nome de Dantas e de familiares do banqueiro fossem excluídos das investigações.

AE/José Luis da Conceição
Banqueiro Daniel Dantas
Banqueiro Daniel Dantas ao ser solto pela PF

A tentativa de suborno foi filmada pela Polícia Federal e usada como argumento para o pedido de prisão preventiva. Dantas, Braz e Hugo Chicaroni, também acusado da tentativa de suborno, foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por corrupção ativa. A denúncia foi aceita pelo juiz da 6ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, Fausto Martin De Sanctis.

O Tribunal Regional Federal da 3ª região (TRF-3) já havia negado, no início da semana, o pedido de liminar em habeas-corpus para que Braz fosse solto. Então, os advogados do assessor de Dantas recorreram ao STJ, que também negou a liminar. Eles podem recorrer agora ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Braz e Chicaroni são os únicos investigados pela PF que continuam presos. Os outros 22 envolvidos, incluindo Dantas, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, já foram soltos por decisão do presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes.

Habeas negado a Chicaroni

O TRF da 3ª Região negou nesta sexta-feira o pedido de habeas-corpus feito pela defesa de Chicaroni, preso também sob a suspeita de tentar subornar um delegado federal ligado às investigações da Operação Satiagraha.

O pedido foi indeferido pela desembargadora Ramza Tartuce, que já havia negado liberdade a Humberto Braz, braço direito do banqueiro Daniel Dantas. O mérito do habeas-corpus de Chicaroni será novamente julgado pela 5ª Turma do TRF da 3ª Região.

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