Petróleo registra a maior baixa em 17 anos, de US$ 6,44

Os preços dos contratos futuros de petróleo caíram hoje mais de US$ 6 o barril, depois que o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, fez comentários sombrios sobre a economia dos EUA, ao mesmo tempo em que dados mostraram algum alívio em relação à oferta mundial do produto. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), o contrato do petróleo leve para entrega em agosto caiu US$ 6,44, ou 4,44%, para US$ 138,74 o barril, na maior queda em dólares desde 17 de janeiro de 1991, quando os EUA abriram sua reserva estratégica de petróleo no começo da Guerra do Golfo.

Agência Estado |

O barril do Brent para agosto caiu US$ 5,17, ou 3,59%, para US$ 138,75 o barril no mercado eletrônico da Bolsa Intercontinental, em Londres. Na Nymex, o petróleo oscilou numa faixa de mais de US$ 10 e, num ponto, chegou a cair a US$ 135,92 o barril, queda de US$ 9,26.

O forte declínio do petróleo se seguiu ao depoimento de Bernanke no Senado. Embora buscasse ressaltar o aperto nos mercados mundiais de petróleo, Bernanke também apontou uma fraqueza na economia mais persistente do que as autoridades haviam indicado recentemente. Ele disse que os EUA não devem se recuperar enquanto o mercado de moradia não se estabilizar - no fim de 2008, no melhor dos casos.

Os observadores interpretaram os comentários de Bernanke como um sinal de que a demanda por petróleo, que este ano está 2,6% abaixo dos níveis do ano passado nos EUA, pode continuar a falhar, em meio a preços recorde e problemas econômicos.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) divulgou um relatório hoje indicando que a demanda mundial no próximo ano ficará abaixo do esperado. A Agência Internacional de Energia (AIE), que monitora o mercado de energia dos países industrializados, e o Departamento de Energia dos EUA também reduziram sua previsão sobre a demanda para 2008 diversas vezes este ano. "Os fundamentos do mercado claramente enfraqueceram", disse a Opep. "Esta tendência dos fundamentos deve continuar - e até ganhar ritmo - no próximo ano."

Os problemas da oferta que recentemente abalaram os mercados começaram a ceder. Na Nigéria, a Chevron reabriu o oleoduto que os rebeldes haviam atacado em junho, potencialmente restaurando cerca de 120 mil barris por dia na produção de petróleo leve do país do Oeste da África. A Royal Dutch Shell suspendeu a força maior em sua produção nigeriana. A cláusula, que liberava a Shell de obrigações de entregas, foi acionada no fim de maio depois de um ataque a um oleoduto.

A Petrobras informou que sua produção na Bacia de Campos foi normalizada por equipes de contingência formadas pela estatal, apesar de uma greve que ameaça cortar centenas de milhões de barris por dia da oferta. O mercado de petróleo também reage ao desarmamento de um sistema de temporais na América do Sul.

As perdas no mercado de petróleo cresceram quando os preços desencadearam ordens de venda para limitar prejuízos, ou níveis que acionam uma venda automática. Os preços do petróleo chegarem perto de paralisar os negócios, o que ocorre na Nymex quando o petróleo cai US$ 10. As informações são da agência Dow Jones.

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