Petroleiros param dia 16 e entram na Justiça contra 10a rodada

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Federação Única dos Petroleiros (FUP) pretende paralisar as operações do sistema Petrobras durante o dia 16 de dezembro, em protesto contra a realização do leilão de blocos de petróleo e gás natural do governo brasileiro no dia seguinte. De acordo com o coordenador da FUP, João Antônio de Moraes, além da paralisação os sindicatos regionais ligados à entidade entrarão com pedidos na Justiça Federal para suspender o leilão.

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"Nós já éramos contra os leilões, e no meio de uma crise de crédito, com pouca disponibilidade de capitais, a tendência é arrecadar menos ainda pelos blocos", disse Moraes à Reuters.

O governo prevê realizar nos dias 17 e 18 de dezembro a 10a rodada de licitações de blocos de petróleo e gás natural promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

Se a Fup tiver sucesso, este seria o segundo leilão da ANP suspenso pela Justiça. Em 2006 a 8a rodada foi suspensa e liberada um pouco depois, mas até hoje continua congelada à espera de novas regras para o setor.

Apesar da crise financeira global, que vem restringindo crédito, 47 empresas foram habilitadas para a 10a rodada. Este é o segundo maior número na história dos leilões da ANP iniciados em 1999 após a quebra do monopólio do petróleo da Petrobras no Brasil.

Pela primeira vez o leilão venderá apenas blocos em terra, considerados menos atrativos pelo mercado por geralmente terem menor volume de petróleo e gás do que os blocos marítimos.

Moraes afirmou que a categoria pretende iniciar uma campanha ao estilo "O Petróleo é nosso", que desencadeou a criação da Petrobras, por entender que as regras no país devem ser alteradas para aumentar a arrecadação do governo com o petróleo.

Ele informou que a FUP tentou participar da comissão interministerial que estuda a mudança de regras do setor de petróleo, comandada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, mas que a entidade ficou limitada a dar sugestões e não ganhou assento no grupo.

"Eles se limitaram a nos ouvir, mas esse assunto tem que ter um canal aberto de negociação com a sociedade civil", destacou o sindicalista.

(Por Denise Luna; Edição de Marcelo Teixeira)

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