Petrobras vê lado positivo da crise para projetos de longo prazo

SÃO PAULO - A Petrobras avalia que o desaquecimento gradual do setor de equipamentos e serviços para a indústria de petróleo, com algumas empresas cancelando projetos devido à queda do preço da commodity e da demanda, vai beneficiá-la no médio e longo prazos, considerando o portfólio de projetos que pretende implementar.

Reuters |

De acordo com o diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa, a perspectiva é de que os custos caiam e a oferta de equipamentos, que tem estado no limite da capacidade da indústria, se regularize, reduzindo as dificuldades para tocar projetos como os do pré-sal, na bacia de Santos.

"A crise tem coisas ruins, mas nem tudo é ruim. A Petrobras tem projetos de longa maturação, que estavam sendo implementados em um ambiente de preços elevados no setor. Certamente será melhor o cenário, com os preços se ajustando à nova realidade", disse Barbassa a jornalistas após participar de evento com analistas de mercado em São Paulo.

"Essa é sem dúvida uma variante positiva para a Petrobras, que tem um excelente portfólio de projetos", acrescentou.

A Petrobras divulgou na noite de terça-feira lucro recorde de R$ 10,8 bilhões, 96% maior do que há um ano.

Devido às novas descobertas do pré-sal, principalmente na bacia de Santos, a estatal se viu pressionada a acelerar trabalhos para cumprir com prazos estipulados pelo órgão regulador nas fases de exploração.

A petroleira brasileira tem sido muito ativa no mercado de sondas de exploração e plataformas. Várias estão encomendadas para produção no exterior, e muitas outras deverão ser produzidas no Brasil.

"O nosso crescimento foi limitado em 2008 pela escassez de equipamentos e serviços. Tivemos atrasos em entregas de plataformas. Estamos chegando no limite da indústria (de equipamentos)", afirmou Barbassa.

Sem cancelamentos

O diretor da Petrobras disse achar improvável que a crise, por outro lado, faça com que encomendas feitas pela empresa sejam canceladas, por eventuais problemas de financiamento nos fornecedores.

Segundo ele, no caso de plataformas e sondas feitas no exterior, os países têm interesse em manter os estaleiros ativos, evitando perdas maiores na atividade econômica, e poderiam até mesmo financiar essas companhias, por exemplo, com linhas de crédito à exportação.

"Sei das dificuldades de financiamento, mas não tenho notícia de nenhum cancelamento. Acho uma possibilidade remota. Se cancelar, perde a encomenda. Nesse momento, se o país puder financiar, ele vai financiar".

No caso dos projetos que deverão ser construídos no Brasil, Barbassa disse que o governo já demonstrou que pretende garantir liquidez para a indústria naval local.

Ele ressaltou, no entanto, que embora esperada, a redução de custos no setor de serviços e equipamentos ainda não foi notada.

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