A apresentação do marco regulatório do pré-sal encontrou um ambiente externo adverso hoje e, com isso, o resultado sobre as ações da Petrobras foi desastroso. Os papéis despencaram influenciados pelo tombo do petróleo no exterior e pelo receio dos investidores em relação às regras do novo marco.

Mas o forte recuo do índice Bovespa (Ibovespa) não está ligado apenas à Petrobras: poucas ações subiram em razão do desempenho das bolsas no exterior, com a China liderando as perdas.

O Ibovespa terminou o dia em baixa de 2,10%, aos 56.488,98 pontos. No mês, registrou ganho de 3,15%. Excetuando-se os dois meses em que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou, em fevereiro (-2,8%) e junho (-3,2%), essa foi a menor alta de 2009. O giro financeiro totalizou R$ 5,667 bilhões. Os dados são preliminares.

O sinal negativo já vinha do exterior logo cedo, com o tombo das bolsas da Ásia, em particular da China, ecoando sobre os demais mercados. O temor de contração nos empréstimos pelo governo continua como pano de fundo e, hoje, contou com o anúncio do lançamento da oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) pela Metallurgical Corp. of China para azedar os humores, ao levantar preocupações sobre o excesso de oferta no mercado. Os investidores venderam papéis e levaram o índice Xangai a cair 6,7%, na pior pontuação desde 27 de maio.

O sinal vermelho se arrastou pela Europa, onde as bolsas também caíram, e pelos Estados Unidos, onde foi conhecido hoje o índice dos gerentes de compras de Chicago. Embora o indicador tenha superado as previsões, ao subir de 43,4 em julho para 50 em agosto, ele não fez preço sobre os ativos. As bolsas recuaram, influenciadas pelo comportamento das commodities: o petróleo voltou a fechar abaixo de US$ 70 o barril e os metais negociados nos EUA também recuaram.

O índice Dow Jones terminou a sessão em baixa de 0,50%, aos 9.496,28 pontos, o S&P500 recuou 0,81%, aos 1.020,62 pontos, e o Nasdaq terminou com variação negativa de 0,97%, aos 2.009,06 pontos.

No Brasil, todas as atenções estavam voltadas para as ações da Petrobras, que despencaram. As ordinárias recuaram 4,48% e as preferenciais, 3,59%. Além do tombo do petróleo, com o contrato futuro com vencimento em outubro negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês) fechando em baixa de 3,82%, em US$ 69,96 o barril, o anúncio do marco regulatório do pré-sal influenciou as decisões de venda dos investidores. "Ninguém ainda sabe precisar os termos, então é natural o comportamento do investidor", justificou o superintendente de renda variável da SulAmérica Investimentos, Ricardo Maeji.

Pela manhã, a estatal divulgou um comunicado ao mercado, confirmando proposta da União para subscrever ações da Petrobras. Essa capitalização, diz o texto, seguirá a Lei das S.A e será observado o direito de preferência dos acionistas. O documento não trouxe detalhes sobre o valor da subscrição.

À tarde, durante o anúncio das regras, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, confirmou que a Petrobras foi escolhida para operar todos os blocos. Ela disse que a escolha se deve ao fato de que é o operador que "tem acesso a informações estratégicas sobre a bacia e o bloco, além de controlar o ritmo da produção e os custos."

O governo enviará ao Congresso quatro projetos: 1) definição do marco regulatório para exploração de petróleo na camada pré-sal; 2) criação de uma nova estatal; 3) criação de um fundo social para investimentos em educação e cultura, ciência e tecnologia, erradicação da pobreza e desenvolvimento ambiental; 4) capitalização da Petrobras.

Com a queda das commodities, Vale também terminou em baixa, influenciada pela China. As ações ordinárias da companhia perderam 3,19% e as preferenciais, 2,08%. Nas siderúrgicas, Gerdau PN (-2,99%), Metalúrgica Gerdau PN (-2,51%), Usiminas PNA (-2,68%) e CSN ON (-2,78%) também registraram baixas.

Para o mês de setembro, a previsão é de cautela nos mercados, diante do histórico do mês, que traz o atentado nas Torres Gêmeas e a quebra do Lehman Brothers. O fim das férias de verão no Hemisfério Norte, no entanto, pode ser positiva para os emergentes, em especial o Brasil, na avaliação de Maeji, da SulAmérica. "Os investidores voltam ao trabalho e é hora de realocar as carteiras. Podem sobrar recursos para a Bovespa", avaliou, ao citar as boas condições do País. Hoje, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a produção industrial, que surpreendeu positivamente ao subir 2,2%, em julho ante junho. O teto das previsões era de 2%. "A tendência é de alta para a Bovespa", diz Maeji.

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