Petrobras obtém US$10bi para projetos e compra na China

PEQUIM/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras obteve um empréstimo de 10 bilhões de dólares junto ao Banco de Desenvolvimento da China para financiar parte de seu amplo plano de investimentos, especialmente as reservas petrolíferas do pré-sal brasileiro, informou a companhia nesta terça-feira. O acordo foi finalizado durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China. Ele e o presidente chinês, Hu Jintao, assinaram no total 13 acordos, cobrindo áreas científicas, espaciais, legais e relativas a portos e produtos agrícola, de acordo com a agência de notícias estatal Xinhua.

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"O empréstimo será usado para financiar os investimentos da Petrobras e inclui financiamento para compra de bens e serviços de empresas chinesas", disse em nota a Petrobras, explicando que parte do dinheiro irá para o caixa da empresa e outra parte para financiar a importação de bens e serviços da China.

Em contrapartida, a Petrobras vai ampliar a partir do mês que vem as exportações de petréleo ao país asiático.

No primeiro ano, pelo contrato entre a Petrobras e a Unipec Asia, uma subsidiária da Sinopec, a estatal brasileira vai entregar 150 mil barris diários ao país asiático e 200 mil b/d nos nove anos restantes. Atualmente, a empresa exporta 60 mil b/d para a China.

Em entrevista à Reuters, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, já havia afirmado que os recursos vindos da China seriam utilizados para financiar investimentos entre 2010 e 2011.

Para 2010 a empresa já tem 10 bilhões de dólares garantidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e previa necessidade de captar mais cerca de 4 bilhões de dólares para o ano que vem.

A Petrobras vai necessitar de centenas de sondas e plataformas para explorar as reservas gigantes do pré-sal, além de usar os recursos em outros projetos que desenvolve no Brasil, como super-refinarias que vão possibilitar a exportação de derivados em alguns anos.

A estatal brasileira assinou também memorandos de entendimento mútuo com a estatal chinesa Sinopec nas áreas de exploração, refino, petroquímica e suprimento de bens e serviços.

A Petrobras descobriu em 2007 imensas reservas de petróleo e gás na camada pré-sal da costa brasileira e prevê investir 111,4 bilhões de dólares até 2020 para desenvolvê-las.

RÚSSIA

Pequim, visando garantir o fornecimento a longo prazo de energia, finalizou em abril um acordo similar, segundo o qual a Rússia fornecerá à China petróleo por 20 anos em troca de empréstimos para estatais russas.

Em abril, pela primeira vez, a China superou os Estados Unidos como maior parceiro comercial do Brasil, tendência que deve se manter já que o país asiático amplia o comércio.

"Em 2009, a China tornou-se o primeiro parceiro comercial do Brasil. Agora ainda enfrentamos o desafio de explorar o potencial total de investimentos que nossas economias podem oferecer uma para a outra", disse Lula segundo a Xinhua.

O presidente chinês complementou: "Nossa cooperação comercial se expandiu de forma contínua conforme o volume de comércio bilateral atingiu a meta com três anos de antecedência".

Sendo a China uma das poucas economias que ainda crescem em desafio à crise econômica global, o comércio do Brasil com a China atingiu 3,2 bilhões de dólares em abril, ultrapassando os 2,8 bilhões com os Estados Unidos.

As exportações para a China cresceram 65 por cento de janeiro a abril em relação ao mesmo período do ano anterior, mostraram dados do governo.

Além das questões comerciais, Lula se reuniu com o primeiro-ministro, Wen Jiabao, e discutiu cooperação para lidar com a crise econômica global, de acordo com a Xinhua.

(Com reportagem de Denise Luna, no Rio de Janeiro; Edição de Camila Moreira)

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