Petrobras fica com custo de cessão onerosa junto a Iara

Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras informou na quarta-feira que vai pagar os custos da perfuração que fará próxima ao campo de Iara, na bacia de Santos, em áreas não licitadas do pré-sal e que poderão servir como cessão onerosa pela União no processo de capitalização da companhia.

Reuters |

A sonda SS-53 será direcionada para a região em meados de dezembro, informou a companhia.

Ao contrário do divulgado anteriormente, a Petrobras será responsável pelos custos da perfuração do poço e não mais receberá da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) pelo serviço. A ANP apenas autorizou a perfuração.

Para contratar a empresa, a ANP teria que fazer uma licitação, o que poderia atrasar o processo de capitalização da estatal.

"Mudou a estratégia porque o poço que será perfurado vai ser usado no desenvolvimento da área", disse à Reuters o diretor financeiro e de relações com investidores da Petrobras, Almir Barbassa, sem saber estimar o valor.

De acordo com o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, o custo do poço será de 60 milhões de dólares.

"Começamos a perfurar o pré-sal com custo de 270 milhões de dólares por poço e agora está em 60 milhões de dólares", disse a jornalistas após a assinatura de contratos da refinaria Abreu Lima.

Ele explicou que a ANP tem base legal para autorizar a perfuração pela Petrobras e admitiu que nessa busca, que deveria ser apenas para conceder informações para a autarquia, já poderá ser descoberto petróleo.

"É um investimento em uma área potencialmente unitizável, vai ser incorporado nos custos da unitização", disse o executivo.

Segundo estimativas da Petrobras, perfurar um poço no pré-sal gira em torno dos 100 milhões de dólares.

Iara é o único prospecto do pré-sal da bacia de Santos que oficialmente já tem informações sobre a necessidade de unitização da produção, ou seja, pelo fato dos seus reservatórios ultrapassarem os limites da concessão será necessário um acordo para que o bloco vizinho --escolhido agora para a cessão onerosa-- não "roube" as reservas do outro.

"A perfuração terá como objetivo a obtenção de informações sobre a região, ainda carente de avaliação geológica mais detalhada e, para tanto, espera-se atingir a profundidade de 6.425 metros. Os dados e estudos coletados serão enviados à ANP", informou a empresa em nota.

Iara está no mesmo bloco de Tupi, o BM-S-11, e tem reservas recuperáveis estimadas entre 3 e 4 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), enquanto Tupi possui entre 5 e 8 bilhões de boe.

A cessão onerosa faz parte da capitalização da companhia, processo que ainda está tramitando no Congresso Nacional e que vai envolver a integração de 5 bilhões de boe às reservas da Petrobras.

A União vai participar da capitalização com títulos públicos, que serão devolvidos em seguida pela estatal ao governo em pagamento por blocos não licitados na região do pré-sal.

Segundo a Petrobras, a autorização para a perfuração foi oficializada na terça-feira pela da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Bicombustível (ANP).

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